Brasília — Autoridades brasileiras já contavam com a possibilidade de que os Estados Unidos propusessem uma nova sobretaxa sobre importações de produtos fabricados com uso de trabalho forçado, segundo interlocutores do governo. A medida faz parte de uma investigação americana em curso e deve resultar em uma taxa adicional sobre itens brasileiros.
Em abril, o Brasil apresentou à investigação uma defesa classificada pela diplomacia como técnica. No documento, o país destacou ações de combate ao trabalho escravo, entre elas a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e o mecanismo conhecido como “Lista Suja”, que impede que empregadores flagrados explorando mão de obra escrava obtenham financiamentos em bancos públicos.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve participar nesta quarta-feira (3) de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris. Também presente ao encontro estará Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Segundo pessoas que acompanham o ministro, ainda não há reunião formal agendada entre Vieira e Greer, mas a tentativa de contato está prevista por parte da diplomacia brasileira.
A avaliação nos bastidores do governo é a de que a resposta ao possível acréscimo tarifário continuará a privilegiar interlocução direta com as autoridades americanas, mantendo o foco em apresentar dados e medidas que, segundo o Brasil, demonstram esforços no combate ao trabalho forçado.
Foto aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026, integra material divulgado em reportagens sobre o caso.
Com informações de G1




