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09/02/2025 — Mais de 20 milhões de argentinos estão endividados; cerca de 6 milhões têm pagamentos em atraso, apontam autoridades

Mais de 20 milhões de habitantes da Argentina contraíram algum tipo de dívida, e cerca de 6 milhões estão em mora — com atrasos nos pagamentos ou já classificados como inadimplentes —, segundo dados do Banco Central e de consultorias locais. Com uma população de pouco mais de 46 milhões, isso significa que aproximadamente um a cada três argentinos enfrenta dificuldades para quitar empréstimos contraídos junto a bancos, carteiras digitais, lojas ou credores informais.

Os dois afirmam dever milhões de pesos em múltiplos cartões e empréstimos familiares, com valores que, na época relatada, somavam dezenas de milhões de pesos em cada cartão — montantes que, convertidos na cotação mencionada, equivalem a alguns milhares de dólares e dezenas de milhares de reais. Eles dizem ter esgotado a possibilidade de renegociação por considerarem os encargos “impagáveis”.

No dia em que o casal foi ouvido pela emissora, houve em Buenos Aires a primeira marcha de pessoas endividadas na Plaza de Mayo. Os manifestantes pediram mecanismos de refinanciamento e criticaram a ausência de intervenção governamental. Autoridades do Executivo qualificaram o problema como uma questão entre particulares, e o presidente Javier Milei atribuiu parte do crescimento do endividamento a compras de bens duráveis, como televisores para a Copa, chegando a questionar se alguém teria sido obrigado por força a contrair dívidas.

O perfil das dívidas

Hernán Letcher, diretor do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), destaca que o número relevante não é apenas o dos endividados, mas os quase 6 milhões em atraso. Ele calcula que cerca de 55% desses devedores — aproximadamente 3,5 milhões de pessoas — têm débitos tecnicamente irrecuperáveis. Letcher também afirma que a maioria dos atrasos em cartões de crédito está relacionada a compras de supermercado, o que sinaliza endividamento para gastos correntes e não para consumo durável.

Especialistas consultados apontam como fatores centrais a queda de renda das famílias, o aumento de tarifas e serviços e as taxas de juros elevadas e voláteis. A adoção de carteiras digitais e fintechs, que ampliaram o acesso ao crédito durante a pandemia, também contribuiu para o aumento do endividamento, segundo analistas ouvidos pela reportagem.

Organizações de endividados pedem reconhecimento oficial da crise e medidas como a regulamentação de juros. Representantes do setor público, por sua vez, têm ressaltado que o quadro envolve atores privados, enquanto o Ministério da Economia admitiu que taxas abusivas de algumas plataformas existem, mas manteve a posição de não implementar interventos diretos imediatos.

A combinação de salários defasados, tarifas em alta e crédito fácil tem empurrado famílias para renegociações frequentes ou para buscar alternativas mais caras, como empréstimos por fintechs e, em último estágio, credores informais, situação que aumenta o risco de cobranças agressivas e violência associada às dívidas.

O debate político e social sobre respostas à crise de endividamento segue no Congresso e nas ruas, com propostas legislativas e mobilizações de grupos de afetados em busca de medidas de alívio e maior regulação do mercado de crédito.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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