Petróleo fecha outra sessão em alta com Oriente Médio e saída dos Emirados no radar
Em 10/06/2022, por volta das 13h10 (Brasília UTC-3), os preços do petróleo avançavam pelo oitavo dia consecutivo, atingindo o patamar mais alto em quase quatro anos. O movimento foi atribuído a novas tensões no Oriente Médio e à decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a Opep e a Opep+.
Segundo dados da Bloomberg, o barril do tipo Brent — referência internacional e utilizada pela Petrobras como parâmetro para preços domésticos — subiu 7,09%, cotado a US$ 119,15 próximo às 13h10. O West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, avançou 6,62%, para US$ 106,55. O valor do Brent não era visto desde 10 de junho de 2022, quando chegou a US$ 122,01.
O aumento ganhou força após publicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas redes sociais. Em uma montagem divulgada por Trump, ele aparece segurando um fuzil com explosões ao fundo, acompanhada da frase “chega de bancar o bonzinho”. O presidente também declarou que “O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”, conforme repercutido pela mídia internacional.
Do outro lado, o Irã informou que só permitirá a retomada do tráfego de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo do conflito com Estados Unidos e Israel, condicionado ainda ao cumprimento de protocolos de segurança definidos por Teerã. O estreito, entre o Irã e Omã, é estratégico: por ali passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados globalmente, e exportações já vinham sendo prejudicadas por ameaças e ataques atribuídos a iranianos.
Somando-se às preocupações geopolíticas, os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua saída da Opep e da Opep+ a partir de 1º de maio. O ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, confirmou a decisão à Reuters, afirmando que ela decorre de uma análise aprofundada das estratégias energéticas nacionais. Membro da Opep desde 1967, os Emirados justificaram a medida como alinhada às suas políticas de produção atuais e futuras, e o ministro disse que o tema não foi tratado com outras nações antes do anúncio.
A saída inesperada foi vista como um impacto relevante para o grupo, em especial para a Arábia Saudita, que lidera a organização. Autoridades dos Emirados afirmaram que críticas à postura de outros países árabes diante de ataques iranianos também pesaram na decisão. Em evento no Fórum de Influenciadores do Golfo, o conselheiro diplomático Anwar Gargash criticou a reação política e militar de aliados regionais, avaliando-a como historicamente fraca.
Autoridades dos Emirados, por sua vez, sustentaram que a retirada não deve provocar grande descontrole de mercado, citando a situação já frágil do tráfego no Estreito de Ormuz como fator limitador do impacto imediato nas exportações.
Os fatores combinados — escalada no Oriente Médio e a mudança na composição da Opep — foram apontados por investidores como os principais responsáveis pela sequência de altas nos preços da commodity.
Com informações de G1




