Desde o primeiro sorteio, em 11 de março de 1996, a Mega-Sena transformou inúmeros apostadores em milionários. Ao longo de quase três décadas, alguns vencedores souberam preservar e ampliar o patrimônio; outros, no entanto, enfrentaram fraudes, disputas e até crimes depois de receberem os prêmios.
Casos de sucesso e gestão responsável
O maior prêmio individual pago em concurso regular ocorreu em 11 de maio de 2019, no concurso 2150, quando um apostador de Recife (PE) ganhou sozinho R$ 289,4 milhões com uma aposta simples via internet banking da Caixa. As dezenas sorteadas foram 23, 24, 26, 38, 42 e 49. O vencedor retirou o prêmio pouco depois e evitou exposição pública, sem registros de ostentação ou disputas judiciais.
Outro exemplo de manejo prudente do prêmio é Valmir Amorim, conhecido como “Valmir da Sena”. Ex-pedreiro, ele ganhou cerca de R$ 36 milhões na antiga Sena — quantia que, atualizada, ultrapassaria R$ 130 milhões — e retornou ao interior paulista, onde comprou uma fazenda de mais de 2,2 mil hectares e investiu em pecuária e agricultura. Décadas depois, Valmir permanece à frente dos negócios no campo e vive fora dos holofotes.
Também há quem mantenha discrição e transforme a vitória em empreendimento. Morador de Ipira (SC), o apelidado “Paulinho Loterias” foi um dos ganhadores da Mega da Virada de 2023, concurso que repartiu R$ 588,9 milhões entre cinco apostas. Depois da premiação, passou a organizar bolões e movimentar apostas coletivas, mantendo rotina mais reservada no interior catarinense.
Perdas, golpes e crimes envolvendo vencedores
Nem todos os ganhadores conseguem preservar a fortuna. Nos anos 1980, Antônio Domingos, que tinha 19 anos quando venceu um prêmio da antiga Loto equivalendo hoje a cerca de R$ 30 milhões, esbanjou a renda em festas, carros e ajudas a amigos. Sem planejamento financeiro, perdeu o patrimônio em poucos anos e voltou a uma vida simples.
Em 2018, Fredolino José Pereira, de Viamão (RS), ganhou mais de R$ 10 milhões após apostar com dinheiro obtido da venda de latinhas recicláveis. Ele investiu em imóveis e abriu uma funerária, mas parte significativa da fortuna foi perdida após golpes envolvendo um sócio e sua companheira; o caso seguiu para a Justiça, com investigações de estelionato e lavagem de dinheiro.
Alguns desdobramentos foram trágicos. Jonas Lucas Alves Dias, vencedor de R$ 47,1 milhões em 2020, foi sequestrado em 2022; criminosos sacaram dinheiro de suas contas, o espancaram e ele foi encontrado ferido à beira de uma rodovia, vindo a falecer em seguida. Os envolvidos receberam condenações que somam mais de 28 anos de prisão.
Outro episódio de grande repercussão foi o assassinato de Renê Senna, ex-lavrador de Rio Bonito (RJ), que ganhou cerca de R$ 52 milhões em 2005 e foi morto a tiros em 2007. Investigações atribuíram a autoria intelectual a sua então mulher, Adriana Ferreira Almeida, que foi condenada a 20 anos de reclusão com prisão decretada em 2018; dois ex-seguranças foram condenados a 18 anos em 2009.
As histórias de vencedores mostram que prêmios elevados podem abrir oportunidades, mas também expõem ganhadores a riscos variados, desde erros de administração até crimes que resultaram em perdas e tragédias.
Com informações de Paranaibamais




