China rejeita alegações e condena tarifas unilaterais propostas pelos EUA
O governo chinês negou nesta quarta-feira ter práticas de trabalho forçado em suas cadeias produtivas e criticou a iniciativa dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas a importações de diversas economias, após uma investigação americana incluir a China entre os países que, segundo Washington, não proibiram nem fiscalizaram adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
Na terça-feira, a investigação do governo dos EUA apontou que 60 países, entre eles China e Brasil, não dispõem de mecanismos eficazes para impedir a circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs a cobrança de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos originários dessas economias.
Em coletiva de imprensa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, declarou que não há base para as acusações e afirmou que não existe trabalho forçado no país, acrescentando que o tema não deve ser usado como pretexto para ações de caráter político. O governo chinês também manifestou oposição a medidas que classifica como unilaterais.
A proposta norte-americana integra uma estratégia mais ampla de endurecimento comercial baseada em critérios relativos a direitos trabalhistas e controles nas cadeias de suprimento. Além da China e do Brasil, a lista de 60 países inclui economias como Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul. O USTR fundamentou a medida na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a mesma disposição citada na proposta anterior de tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros.
Ainda não está definido se as novas sobretaxas serão acumuladas com outras tarifas já em vigor. O governo americano abriu prazo para contribuições públicas até 6 de julho e marcou audiências para 7 de julho antes de decidir se implementará as tarifas.
Reações a nível global foram variadas. Autoridades do Reino Unido disseram manter diálogo com Washington e continuar implementando medidas para combater o trabalho forçado em cadeias de produção nacionais e internacionais. Nos mercados, as bolsas asiáticas tiveram comportamento misto: o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,6%, enquanto as praças chinesas fecharam com leves altas — o CSI300 avançou 0,5% e Xangai subiu 0,2%. O setor de semicondutores liderou ganhos, apoiado por expectativas positivas de demanda vinculada à inteligência artificial.
Em meio às incertezas comerciais, dados econômicos mostraram que o setor de serviços da China registrou em maio o ritmo de crescimento mais forte dos últimos três meses, impulsionado por novos negócios e maior demanda externa. Analistas do Goldman Sachs mantiveram visão positiva sobre as ações chinesas A-share, citando melhora nas perspectivas de crescimento e exposição ao setor de tecnologia.
As autoridades americanas ainda coletarão contribuições e ouvirão participantes interessados antes de deliberarem sobre a possibilidade de aplicar as sobretaxas propostas.
Com informações de G1




