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13/05/2026 — IPO da SpaceX leva mercado financeiro ao centro da disputa tecnológica entre EUA e China

Abertura de capital da SpaceX amplia o papel do mercado financeiro na concorrência tecnológica entre Estados Unidos e China. A empresa de Elon Musk captou US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões) em Wall Street, uma operação que vai além do financiamento de foguetes e coloca investidores privados na linha de frente de iniciativas que incluem redes globais de comunicação, inteligência artificial e infraestrutura em órbita.

A oferta pública inicial ocorre em um momento de intensificação da rivalidade entre as duas maiores economias do planeta, envolvendo não só missões espaciais, mas também o controle de sistemas de comunicação e capacidade de processamento para IA. Especialistas ouvidos pelo G1 destacam que o IPO da SpaceX representa uma estratégia distinta da adotada pela China, que continua a privilegiar empresas estatais e investimento público de longo prazo.

No modelo americano, o financiamento público ao espaço segue vigente: a Nasa, criada em 1958, recebeu em 2026 verba de US$ 24,4 bilhões (R$ 124,5 bilhões) — cerca de 0,35% dos gastos federais —, parte destinada a programas internos e parte contratada junto ao setor privado. Ao mesmo tempo, empresas privadas passaram a recorrer ao mercado financeiro para bancar projetos próprios. A SpaceX é apontada como exemplo dessa mudança, ao combinar contratos governamentais com captação em bolsa e desenvolvimento de ativos como a constelação Starlink e iniciativas ligadas à inteligência artificial.

Para Álvaro Machado Dias, professor da Unifesp, projetos como o Starship, centros de processamento de dados em órbita e infraestrutura lunar exigem uma escala de recursos que dificilmente se sustenta apenas com investidores tradicionais. Ele ressalta também a posição estratégica da empresa para interesses americanos, citando lançamentos de satélites do Pentágono, o suporte a sistemas de comunicações militares orbitais e participação em conflitos como o da Ucrânia.

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, afirma que a SpaceX reúne áreas centrais na disputa tecnológica — exploração espacial, controle de comunicações e capacidade de processamento para IA — o que a torna mais que uma fabricante de foguetes.

Na comparação entre potências, dados compilados por Jonathan McDowell, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, mostram que em 2025 os EUA realizaram 181 lançamentos orbitais, enquanto a China teve 92. Do total americano, 170 lançamentos foram da SpaceX, número superior ao de qualquer outro país. A constelação Starlink concentrava, no final do ano passado, cerca de dois terços dos satélites ativos no planeta: de 14,1 mil satélites, aproximadamente 10 mil pertenciam à rede da SpaceX.

Em 2025 os EUA colocaram em órbita cerca de 3,4 mil satélites de comunicação de grande porte — 3.267 destinados à Starlink — enquanto a China lançou 195 desses equipamentos. Pequim, porém, tem projetos em escala como a Guowang (previsão de ~13 mil satélites) e a Qianfan (cerca de 1.296 unidades), além de apoio industrial e diplomático por meio da iniciativa Cinturão e Rota.

Segundo Franco Granda, da PitchBook, a disputa deve se intensificar com programas lunares: a SpaceX trabalha para realizar uma missão lunar não tripulada em 2027, enquanto a China planeja pousar astronautas chineses na Lua até 2030.

A operação de mercado da SpaceX, portanto, amplia a influência do setor financeiro na corrida tecnológica entre EUA e China, refletindo modelos distintos de financiamento e estratégias de presença no espaço e na órbita terrestre.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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