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16/06/2026 — Brasil aposta em reunião entre Lula e Trump no G7 para avançar na negociação sobre novas tarifas dos EUA

Brasília busca encontro bilateral com Washington durante cúpula do G7

O governo brasileiro colocou como prioridade, na cúpula do G7 em Évian, na França, a negociação das tarifas impostas pelos Estados Unidos no início de junho. Diplomatas do Brasil apostam que um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump pode destravar as conversas, mas, até o momento, não há confirmação oficial dessa reunião bilateral.

O Brasil tenta reverter as tarifas desde 2025, quando foram anunciadas as primeiras medidas. Em novembro de 2025, segundo o governo, houve um avanço quando a Casa Branca retirou uma tarifa de 40% que incidia sobre vários itens exportados pelo país. No início de junho de 2026, os EUA anunciaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que, na avaliação do governo brasileiro, tem caráter mais político do que técnico e desconsidera argumentos apresentados por representantes comerciais do país.

Além da taxa de 25%, um decreto presidencial dos EUA citou 60 países — incluindo o Brasil — por suposta falha em impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, o que motivou a proposta de uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a taxação potencial para 37,5%. Em paralelo, os Estados Unidos divulgaram uma lista extensa de exceções: as importações excluídas representariam cerca de 60% das exportações brasileiras para o mercado americano.

Analistas do BTG Pactual, Luiza Paparounis e Francisco Lopes, afirmaram em relatório que o impacto econômico direto tende a ser limitado, uma vez que a lista de isenções permanece extensa e alcança parcela significativa das exportações brasileiras destinadas aos EUA.

A tática de usar tarifas como instrumento de pressão econômica e diplomática já foi empregada por Trump em outras ocasiões, com medidas dirigidas a União Europeia, China, Canadá e México, entre outros. Especialistas ouvidas citam justificativas variadas apresentadas pelos EUA para embasar as tarifas, que vão desde combate ao crime organizado até questões de segurança e comércio digital. A diretora da Faculdade de Relações Internacionais da PUC‑Campinas, Kelly Ferreira, avaliou que Trump utiliza essa questão tarifária como uma arma em negociações.

O governo brasileiro diz que pretende manter as negociações. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e consultas públicas devem ocorrer antes da efetivação de quaisquer medidas. O presidente Lula declarou que enviaria nova carta a Trump para tratar do tema: “A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível”, afirmou o petista após o anúncio das novas taxas.

Com uma agenda ampla no G7, a reunião entre Lula e Trump pode não ser confirmada. Ainda assim, o governo brasileiro planeja aproveitar a cúpula para reforçar laços com outras grandes economias e com a União Europeia.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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