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19/05/2012 — “Antes Elize do que Eliza”: título de TCC viraliza e pesquisa compara casos Matsunaga e Samudio

Uma aluna de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú fez um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) cujo título chamou atenção nas redes sociais e transformou o trabalho acadêmico em assunto viral. A foto de Clara Souza, de 22 anos, no dia da defesa da monografia foi amplamente compartilhada no Instagram, no TikTok e no X devido à expressão escolhida para abrir o título: “Antes Elize do que Eliza”.

Clara, que se formou em Sobral (CE), afirma que a frase aparece entre aspas no título e que ela não pretendeu endossá-la. Segundo a estudante, houve pessoas que criticaram o trabalho sem lê-lo, acusando-a de fazer “apologia ao crime”. A pesquisadora explica que tratou a expressão como fenômeno social e defende que sua monografia não justifica o crime cometido por Elize Matsunaga.

O título remete a duas ocorrências que receberam grande cobertura midiática: o assassinato e esquartejamento de Marcos Matsunaga, cometido por Elize Matsunaga na noite de 19/05/2012, pelo qual Elize foi condenada a 19 anos, 11 meses e 1 dia de prisão e ficou em liberdade a partir de 2022; e o homicídio de Eliza Samudio, morto a mando do goleiro Bruno em 2010. A expressão, repetida em redes sociais, costuma ser usada por quem argumenta que Eliza buscou proteção do Estado e não foi atendida, enquanto Elize, apesar de cometer um crime brutal, sobreviveu.

Com mais de 130 páginas, a monografia analisa por que narrativas desse tipo se disseminam e examina o papel da mídia e das plataformas digitais na “escandalização midiática” do processo penal. Clara aponta que, em muitos casos, a cobertura jornalística e o conteúdo publicado em redes sociais promovem um julgamento paralelo, simplificando debates jurídicos e reduzindo garantias fundamentais como a presunção de inocência a favor de histórias maniqueístas.

O trabalho identifica padrões comuns nas trajetórias de Eliza e Elize: origem humilde, vínculos com o chamado “mercado do sexo” e relacionamentos com homens de maior poder econômico, fatores que, segundo a autora, deslocaram o foco da violência sofrida para julgamentos morais sobre as escolhas das mulheres.

A pesquisa dialoga com autores como Heleieth Saffioti, sobre violência estrutural de gênero, e Guy Debord, sobre a sociedade do espetáculo. A banca concedeu nota dez ao TCC e sugeriu que a investigação vire projeto de mestrado. Clara atualmente atua na assessoria jurídica da Defensoria Pública do Ceará, no núcleo voltado ao enfrentamento da violência doméstica, e recebe mensagens de mulheres que leram e apoiaram sua pesquisa.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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