Uma onda de calor que avança sobre a Europa causou mortes, quebras de recordes de temperatura e prejuízos a serviços essenciais, além de efeitos na economia.
Na França, as autoridades estimam cerca de mil mortes acima do esperado desde quarta-feira (24), sobretudo entre pessoas com mais de 65 anos, com aumento do número de óbitos em domicílios, especialmente na região de Paris. A sequência de dias de calor intenso também colocava, neste domingo (28), mais de 190 milhões de pessoas sob temperaturas iguais ou superiores a 35°C em várias partes do continente.
Registros extremos de temperatura
Países europeus reportaram marcas históricas. Na Alemanha, os termômetros marcaram 41,5°C no sábado, a leitura mais alta já registrada no país, superando o recorde do dia anterior; o serviço meteorológico local alertou que as temperaturas poderiam se aproximar dos 42°C. Na República Tcheca, a temperatura alcançou 40,8°C ao norte de Praga, com previsão de ultrapassar 41°C neste domingo. Em Basileia, na Suíça, os 39°C representaram o terceiro dia consecutivo de novo recorde para junho. A Dinamarca anotou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país.
Impactos em serviços e infraestrutura
Além da França, a Espanha relacionou 212 mortes registradas num intervalo de quatro dias à onda de calor. Hospitais, serviços de emergência e autoridades locais adotaram medidas para enfrentar a demanda crescente e diminuir riscos à população; atendimentos de emergência aumentaram em cidades como Paris e Viena. Festivais, eventos ao ar livre e manifestações foram cancelados, adiados ou adaptados diante dos alertas meteorológicos.
O calor também afetou infraestrutura e energia. O aquecimento das águas do Danúbio levou a usina nuclear de Paks, na Hungria, a reduzir a geração de eletricidade para manter o resfriamento dos reatores dentro de limites de segurança. Na Alemanha, operadoras ferroviárias flexibilizaram regras de cancelamento por risco de deformação dos trilhos, e trechos rodoviários apresentaram rachaduras devido às altas temperaturas.
Causas e riscos econômicos
Especialistas apontam que o episódio foi favorecido por um padrão atmosférico conhecido como “bloqueio ômega”, que mantém uma massa de ar quente sobre a mesma região por vários dias, impedindo a chegada de frentes frias. Cientistas afirmam que uma onda de calor dessa magnitude seria praticamente impossível sem o aquecimento global de origem humana.
Em entrevista à Deutsche Welle, a economista Katharina Utermöhl, pesquisadora de políticas econômicas da seguradora Allianz, afirmou que temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade, elevam o consumo de energia e aumentam os afastamentos por saúde: “Acima de 30 graus, a produtividade cai 3% por grau adicional, enquanto os custos de energia aumentam 1,2% por grau.” Um estudo da Allianz estima que, se episódios de calor intenso se tornarem mais frequentes, as perdas acumuladas para a economia alemã entre 2026 e 2030 poderão chegar a US$ 131 bilhões.
O fenômeno segue em evolução, com autoridades de saúde e de infraestrutura monitorando os efeitos imediatos e adotando medidas de prevenção enquanto as previsões indicam continuidade de temperaturas elevadas em diversas regiões.
Com informações de G1




