Torcedores na cidade americana colocam em debate técnicas e sabores do churrasco
Milhares de torcedores argentinos que viajaram ao Texas para acompanhar a Copa do Mundo voltaram a alimentar uma velha discussão: qual região prepara a melhor carne bovina. O episódio ganhou destaque durante a concentração para a partida do Grupo J contra a Áustria, realizada em 21/06/2026, em Dallas.
O confronto entre estilos gira tanto em torno do método de cocção quanto da criação do gado. No caso argentino, a maior parte do rebanho é criada a pasto, o que, segundo especialistas citados por apoiadores da seleção, resulta em cortes mais magros e com sabor terroso. Já no Texas e na maior parte dos Estados Unidos, o gado costuma ser terminado com alimentação à base de grãos, o que promove maior marmoreio — finas camadas de gordura entre as fibras musculares — e um paladar mais adocicado.
Produção: o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) aponta que os Estados Unidos ocupam a segunda posição na produção mundial de carne bovina, atrás apenas do Brasil. A Argentina figura em sexto lugar no ranking global.
Quem representa a defesa da carne argentina é o chef Carlos Eduardo Barahona, de 64 anos, que vive no Texas desde 1998. Barahona destaca que a textura e o perfil de sabor dos cortes argentinos são diferenciados e elogia a capacidade do asado de valorizar até peças mais simples. No outro extremo, o comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller, afirmou que a qualidade da carne americana, em especial a texana, é superior em sua avaliação, mas reconheceu que a carne argentina também possui qualidades. Ele citou iniciativas do órgão estadual para aproximar produtores texanos de criadores sul-americanos, incluindo argentinos.
Consumidores e frequentadores de mercados locais refletem perspectivas variadas. Após a vitória da Argentina sobre a Áustria, o torcedor Gonzalo Herrera visitou um Walmart em Arlington e, ao comparar cortes, disse não enxergar diferença tão marcante entre as carnes, observando porém que os preços locais podem ser mais elevados — ele chegou a colocar quatro bifes T-bone no carrinho, cada um com referência de preço observado a US$ 45.
No restaurante argentino Corrientes 348, em Dallas, a cozinha segue tradição de preparar os bifes apenas com sal e carvão de madeira mesquite, conforme o gerente assistente Emmanuel Tobon. Para Tobon, os estilos se distanciam pelo uso de temperos e acompanhamentos: os texanos, segundo ele, costumam aplicar mais pimenta, manteiga e molhos barbecue, enquanto os argentinos preferem ressaltar o sabor da carne com simplicidade.
Além dos aspectos técnicos, há também componente cultural: fãs que lotaram a churrascaria em busca dos sabores caseiros e argentinos manifestaram orgulho das receitas e do papel social do churrasqueiro nas refeições de família. Para alguns deslocados, como Fernando Garcia Morillo, nascido em Buenos Aires e residente na Flórida, ambas as carnes são excelentes, mas ele conserva preferência por pedir o bife apenas com sal.
Com a seleção argentina ainda com pelo menos mais uma partida marcada em Dallas, o debate sobre as qualidades do asado e do barbecue deve permanecer presente entre torcedores e cozinheiros durante a sequência da competição.
Com informações de G1




