O governo da Alemanha estuda elevar novamente a alíquota paga por adultos sem filhos ao seguro de cuidados, em meio ao envelhecimento da população e ao risco de um déficit bilionário no sistema.
A contribuição para o auxílio-invalidez — também chamado seguro de cuidados — é descontada de pessoas cobertas pelo seguro de saúde público, que responde por quase 90% da população do país. Atualmente, quem tem filhos contribui entre 3,1% e 3,6% da renda, conforme o número de dependentes. Para quem não tem filhos, a alíquota é de 4,2%, formada por uma taxa-base de 3,6% mais um adicional de 0,6% aplicado a partir dos 23 anos.
Um documento interno do Ministério da Saúde, vazado à imprensa, propõe aumentar esse adicional em 0,1 ponto percentual, elevando a taxa para 4,3%. A medida é apresentada como uma resposta temporária ao aperto financeiro no fundo de cuidados.
O auxílio-invalidez garante apoio a quem necessita de cuidados permanentes, como idosos, portadores de doenças crônicas e pessoas com deficiência, mas não cobre todas as despesas relacionadas ao atendimento.
A população alemã está envelhecendo: cerca de 20% dos moradores têm 67 anos ou mais, proporção que tende a crescer à medida que a geração do pós-guerra atinge a aposentadoria. O Ministério da Saúde projeta, até o fim de 2028, um déficit acumulado de 22,5 bilhões de euros no caixa do seguro de cuidados.
Dentro da coalizão governista, o Partido Social Democrata (SPD) demonstrou abertura à proposta. Christos Pantazis, especialista em saúde do SPD, disse ser legítimo discutir mecanismos como um aumento para pessoas sem filhos diante dos desafios financeiros, mas ressaltou que isso não substitui uma reforma estrutural ampla. A União Social Cristã (CSU), parceira da CDU, também manifestou apoio: Katrin Staffler afirmou que pais prestam contribuição relevante à sustentabilidade dos sistemas de seguridade e que o papel educativo das famílias deve ser reconhecido.
Por outro lado, partidos de oposição e entidades sociais classificaram a proposta como insuficiente ou injusta. Os Verdes criticaram medidas pontuais sem um plano abrangente; A Esquerda considerou o aumento cosmético; Evelyn Schötz defendeu a inclusão de segurados privados no sistema público. Verena Bentele, presidente da associação VdK, afirmou que a medida sobrecarregaria pessoas sem filhos e teria impacto financeiro pequeno. O diretor-executivo da VDAB, Thomas Knieling, e o presidente do conselho da seguradora DAK, Andreas Storm, alertaram que soluções temporárias não substituem uma estratégia de longo prazo e que fundos de cuidados podem precisar de ajuda para evitar insolvência.
O Ministério da Saúde não comentou publicamente, mas informou à AFP que planeja apresentar um projeto de lei para reformar o sistema de cuidados. Originalmente esperada para maio, a proposta foi adiada para o início de julho. Sabe-se também que a ministra da Saúde, Nina Warken (CDU), pretende reduzir subsídios para internação em lares de idosos, e existe o risco de restrições no acesso a benefícios do seguro de cuidados.
Com informações de G1




