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24/10/1929: O que a crise de 1929 pode nos ensinar sobre os perigos que a economia enfrenta hoje

Paralelos entre a grande quebra de 1929 e sinais atuais nos mercados

Especialistas em finanças vêm estabelecendo comparações entre a quebra da Bolsa de Valores de 1929 e o atual desempenho dos mercados americanos, que têm mostrado força apesar de choques geopolíticos e no mercado de energia. Em entrevista ao podcast da BBC More or Less, o jornalista e autor Andrew Ross Sorkin, conhecido por obras como 1929: Por dentro da maior crise da história de Wall Street – e como ela abalou o mundo (Companhia das Letras) e Too Big to Fail (Grande demais para quebrar, em tradução livre), analisou semelhanças e diferenças entre os dois períodos.

No cenário atual, indicadores da Bolsa de Nova York surpreendem: apesar de anos de conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e do fechamento do estreito de Ormuz, o índice Dow Jones ultrapassou 50 mil pontos em fevereiro e chegou a mais de 52 mil em junho. O S&P 500 manteve uma alta sustentada por nove dias consecutivos no final de maio, e o Nasdaq tem batido recordes impulsionado pelo avanço da inteligência artificial.

Sorkin ressaltou que a Grande Quebra de 1929 ainda é um marco para quem estuda finanças. Ele explicou que, embora o ano de 1929 seja lembrado pela queda dramática, o mercado encerrou o ano com recuo de cerca de 17%. No entanto, entre outubro e novembro de 1929 ocorreu uma queda quase de 50% em curto espaço de tempo, e, se considerado o período entre 1929 e 1933, a perda acumulada no valor total do mercado chega a aproximadamente 90%.

O autor apontou também o papel da alavancagem: antes do crash, investidores comuns passaram a aplicar na bolsa tomando empréstimos, em alguns casos com relação dívida/patrimônio de 10 para 1. Sorkin usou o exemplo de quem tem US$ 100, pede emprestado US$ 1.000 para comprar ações e vê o valor cair pela metade, ampliando significativamente a perda sobre o capital próprio.

Outro fator destacado foi a ausência de dados em tempo real na época: cotações chegavam com atraso de quatro a seis horas — e, para alguns investidores em navios ou no exterior, até dois dias —, o que levou multidões a irem pessoalmente a Wall Street para descobrir o que ocorrera com seus investimentos. A crise também teve efeitos sociais e econômicos severos; em 1932, a taxa de desemprego nos EUA alcançou 25%.

Sorkin recomendou atenção à dívida do sistema e aos múltiplos de avaliação, como a relação preço/lucro (P/L). Ele observou que, no pico de 1929, o preço das ações chegou a representar cerca de 30 vezes a média dos lucros dos dez anos anteriores; no final da década de 1990 esse múltiplo ultrapassou 40, e atualmente voltou a superar 40 — sendo esta apenas a segunda vez na história em que se registra um nível superior ao pico anterior à quebra de 1929. Para ele, é provável que, em algum momento futuro — embora sem previsão de quando — possa ocorrer nova reavaliação acentuada dos preços das ações.

O autor também mencionou episódios similares em outras épocas, como os picos da década de 1970 e do fim dos anos 1990, ressaltando que gráficos históricos permitem identificar padrões que, com o benefício da retrospectiva, ficam claros.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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