A Organização das Nações Unidas instituiu o dia 4 de junho como data de conscientização contra a violência contra crianças, em decisão tomada pela Assembleia Geral em 1982. A iniciativa visa sensibilizar a sociedade sobre abusos físicos, mentais e emocionais sofridos por menores.
Psicóloga analisa infanticídio
A psicóloga e psicanalista Fernanda Tavares explica que o infanticídio — quando pai ou mãe tira a vida do próprio filho — pode ter múltiplas causas, entre as quais a ausência do chamado “amor parental”. Segundo ela, esse vínculo é uma construção psíquica que normalmente se desenvolve nos primeiros dias de vida da criança; sem essa conexão, os responsáveis podem apresentar reações consideradas fora do padrão.
Relembre os casos mais marcantes
Bebê de 3 meses é morto pelo pai
Em Uberlândia, um homem de 25 anos foi detido após confessar ter matado o filho de 3 meses no bairro Jardim das Palmeiras. A companheira dele, de 22 anos, também foi presa sob a suspeita de ter conhecimento das agressões sofridas pelo bebê. O caso chegou à Polícia após o Samu ser acionado para tentar reanimar a criança, que, segundo familiares, teria entrado em parada cardiorrespiratória depois de um episódio de engasgo durante a amamentação.
Caso Henry Borel
Henry, de 4 anos, foi morto no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho, em 2021, no Rio de Janeiro. As investigações apontaram lesões graves e hemorragia interna decorrentes de agressões repetidas. O episódio teve ampla repercussão e resultou na aprovação da Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), que qualifica a violência doméstica e familiar como crime hediondo e endurece medidas protetivas.
Caso Isabella Nardoni
O assassinato de Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, ocorreu na noite de 29 de março de 2008, quando a menina foi esganada e arremessada do 6º andar do Edifício London, em São Paulo. O inquérito da Polícia Técnico-Científica de São Paulo indicou que o crime foi cometido pelo pai, Alexandre Nardoni, e pela madrasta, Anna Carolina Jatobá.
Dia Mundial contra Agressão Infantil: MPMG faz alerta
Dados do Ministério Público de Minas Gerais apontam que, entre 21 de fevereiro de 2025 e 21 de fevereiro de 2026, foram registradas 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável contra vítimas com menos de 14 anos. Desse total, 97,27% dos casos foram consumados e, em 235 ocorrências (5,7%), a violência sexual resultou em gravidez.
Em 2.169 episódios (52,8%), o agressor pertencia ao círculo familiar ou de confiança da vítima. Outros 227 casos apresentaram indicativo de “relacionamento” entre o agressor e a criança. A região metropolitana de Belo Horizonte concentrou 33,8% dos casos; o Triângulo registrou 13%, o Sul do estado 10,2% e a Zona da Mata 8,9%. As cidades com maior número de notificações foram Belo Horizonte (379), Contagem (160), Uberaba (135) e Uberlândia (105).
Com informações de Paranaibamais




