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domingo, outubro 25, 2026

Alta do petróleo deve pressionar inflação e desacelerar crescimento, diz presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 30 de março, que a recente valorização do petróleo tende a pressionar a inflação e a reduzir o ritmo de crescimento econômico. A avaliação foi feita durante o J. Safra Macro Day, em meio a um cenário internacional mais conturbado por tensões no Oriente Médio.

Galípolo destacou que a alta dos preços do petróleo tem origem em um choque de oferta, e não em um aumento da demanda global. “Essa elevação no preço do petróleo tem uma natureza bastante distinta do passado, não decorre de um ciclo de demanda, mas sim de um choque de oferta”, disse o presidente do BC, acrescentando que o efeito esperado é de “inflação para cima e crescimento para baixo”.

Segundo o dirigente, a estratégia do Banco Central tem sido adotar uma postura mais parcimoniosa, incorporando os impactos de forma gradual para ganhar tempo e entender melhor os efeitos de cada evento ligado à guerra no Oriente Médio. Ele afirmou que essa abordagem ajudou a evitar amplificação da volatilidade, mesmo diante de propostas de políticas que poderiam ter demandado reações mais rápidas.

Os preços do petróleo subiram nesta segunda; o Brent, referência global, chegou a US$ 116,5 por barril nas primeiras horas de negociação e, por volta das 9h10 (Brasília UTC-3), avançava 2,07%, cotado a US$ 114,90. O WTI, referência dos EUA, subia 1,68%, para US$ 101,31. A commodity caminha para encerrar o mês com valorização de 59%, a maior desde 1990, segundo a série citada pelo BC.

O aumento ocorre em meio ao temor de interrupções no fornecimento causadas pelo conflito no Oriente Médio, o que pode tornar a alta dos preços de energia mais persistente e, por consequência, pressionar as expectativas de inflação e elevar o risco de desaquecimento econômico em várias regiões.

Galípolo ressaltou que o Brasil está em posição relativamente mais favorável por ser, hoje, um exportador líquido de petróleo, mas observou que o país ainda importa derivados — como gasolina e diesel —, o que afeta os preços internos. O presidente do BC também apontou que o diferencial de juros, com taxas domésticas em patamar mais contracionista que em outras economias, contribui para essa posição relativa.

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), registrada após a reunião de 18 de março, consta que a guerra no Oriente Médio agravou o cenário inflacionário e elevou expectativas acima da meta de 3% (com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%). O Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano — primeiro corte desde maio de 2024 — e indicou que o ritmo de redução deverá ser mais lento, sem sinalizar passos imediatos, devido à incerteza externa e sinais de desaceleração da atividade econômica no país.

Galípolo afirmou ainda que os juros elevados já estão tendo efeito sobre a economia, especialmente em setores sensíveis ao crédito, como consumo e investimento, gerando uma desaceleração gradual — não uma queda abrupta, mas menor crescimento, sobretudo em componentes mais cíclicos. Sobre o início do ciclo de queda dos juros, o presidente justificou a escolha por um corte reduzido como medida de cautela diante das incertezas externas, observando que a postura do BC tem sido “mais transatlântico do que jet ski”.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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