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domingo, outubro 18, 2026

Documentos do BRB mostram que Banco Master adiou e cancelou reuniões sobre irregularidades em carteiras de crédito

Documentos internos do Banco de Brasília (BRB) indicam que o Banco Master adiou e, em alguns casos, cancelou reuniões agendadas para esclarecer pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. Relatórios do BRB datados de 4 de abril e 19 de maio de 2025, elaborados por um grupo de trabalho responsável por analisar operações do produto CredCesta, descrevem tentativas frustradas de obter informações e conciliar valores.

Segundo os relatórios, o BRB identificou inconsistências nos repasses financeiros, falhas na documentação e dificuldades para verificar contratos. A instituição tentou tratar os problemas diretamente com o Master, mas encontrou respostas incompletas e sucessivos adiamentos de reuniões. O g1 questionou o BRB sobre o tema, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

Sequência de adiamentos

O primeiro encontro foi marcado para 4 de abril de 2025, data em que o Master pediu reagendamento para 7 de abril. Na reunião do dia 7, a pauta foi alterada e o debate específico sobre lastros foi transferido para 8 de abril. No dia 8, o encontro acabou servindo para novo pedido de adiamento, ficando para 9 de abril. Pouco antes do horário previsto em 9 de abril, o Master solicitou novo reagendamento para 14 de abril.

O BRB havia solicitado quatro levantamentos considerados essenciais — relação de contratos originados por associações; relação de contratos originados diretamente pelo Banco Master; listagem dos contratos do produto CredCesta; e identificação de contratos de crédito consignado e de outros produtos vinculados às operações —, mas nenhum desses documentos foi apresentado. O próprio Banco Master informou por e-mail que não havia concluído os levantamentos, motivando o adiamento.

No dia 14 de abril, o Master declinou da reunião e não respondeu ao pedido do BRB por outra data. Em 15 de abril de 2025, o grupo de trabalho registrou formalmente preocupação com as “constantes remarcações e recusas” do Banco Master.

Visitas técnicas e constatações

Entre 15 e 17 de abril de 2025, o grupo de trabalho realizou a primeira visita técnica à sede do Master em São Paulo. Os técnicos relataram que o controle das operações era manual, feito por planilhas, o que limitava a capacidade de cálculo dos valores de repasse. Também foram apontadas demoras no atendimento e desconhecimento por parte da equipe do Master sobre operações originadas por associações.

Foram identificados cerca de R$ 15,5 milhões referentes a parcelas que constavam nos arquivos, mas não tinham sido repassadas financeiramente. O Banco Master reconheceu aproximadamente R$ 14,5 milhões, que foram pagos durante a visita.

Uma segunda visita técnica ocorreu nos dias 29 e 30 de abril de 2025 para aprofundar apurações sobre averbações, lastros e informações operacionais, incluindo a possibilidade de uso de conta escrow para depósitos de repasses dos órgãos pagadores.

Nessa visita, o BRB constatou que grande parte das carteiras adquiridas do Master não tinha origem no próprio banco, mas na empresa Tirreno, criada em 4 de novembro de 2024. Em reuniões anteriores, a equipe do Master havia referido que parte dos contratos vinha de uma “associação”, sem identificar a entidade. A identificação formal como Tirreno ocorreu presencialmente pelo superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix.

Posteriormente, em reunião virtual ocorrida duas semanas depois, o Master informou que não registrava essas operações em seu balanço, o que, segundo o grupo de trabalho, dificultava a rastreabilidade e a validação dos contratos adquiridos.

As apurações indicam que o BRB adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas podres, que não pertenciam ao Banco Master e não tinham garantias financeiras. Há suspeita de que o Master não dispunha de recursos para honrar títulos emitidos com vencimento em 2025 e que teria comprado créditos da Tirreno sem efetuar pagamento, para então revendê-los ao BRB.

Ao longo de 2025, o BRB também buscou comprar 58% das ações do Banco Master por R$ 2 bilhões, operação que foi barrada pelo Banco Central, que liquido o banco na mesma data em que o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso.

A investigação e as tentativas de conciliação descritas nos relatórios do grupo de trabalho do BRB apontam para falhas operacionais, déficits de documentação e resistência do Banco Master em fornecer, de forma consistente, os documentos e esclarecimentos solicitados pelo comprador.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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