Banco de Brasília adia publicação das demonstrações financeiras de 2025
O Banco de Brasília (BRB) comunicou na noite desta terça-feira que não irá publicar o balanço consolidado relativo a 2025 dentro do prazo determinado por lei. A legislação brasileira exige que instituições financeiras tornem públicas suas demonstrações do ano anterior até o final de março; o prazo formaliza-se às 23h59 (Brasília UTC-3) desta terça.
No comunicado classificado como “fato relevante”, a instituição informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será adiada devido à necessidade de concluir trabalhos de auditoria forense vinculados à apuração dos eventos relacionados à operação denominada “Compliance Zero” e de avaliar, pela administração e pelo auditor independente, os possíveis impactos dessas apurações.
Segundo o BRB, a postergação tem por objetivo “assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das demonstrações financeiras”, observando os deveres legais e fiduciários da administração e a proteção dos interesses da companhia e de seus acionistas. A instituição acrescentou que a questão será submetida à apreciação assim que as avaliações e providências em curso forem finalizadas, mediante convocação para dar continuidade à Assembleia Geral Ordinária.
Acionistas aguardavam, além das demonstrações anuais, a apresentação de um conjunto de medidas que o banco adotaria para cobrir os prejuízos acumulados em operações com o Banco Master. A compra de ativos do Banco Master, na ordem de cerca de R$ 12 bilhões, é apontada como a origem da crise que afetou o BRB e que motivou investigações sob suspeita de fraude.
Após investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central, que também bloqueou a tentativa de compra pelo BRB e ampliou o monitoramento sobre a situação financeira e de governança do banco brasiliense. As operações com o Master teriam reduzido o capital mínimo prudencial do BRB, colocando em risco o cumprimento de normas de solidez bancária.
Com o não cumprimento do prazo de divulgação, o BRB terá de prestar esclarecimentos a órgãos reguladores, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As normas da CVM preveem multas diárias em caso de descumprimento de prazos; além das sanções administrativas, a infração prolongada por mais de 12 meses pode levar à suspensão do registro como companhia aberta. A postergação também pode afetar a confiança de investidores e analistas e influenciar a volatilidade dos ativos vinculados ao banco.
A administração do BRB não informou uma nova data para a publicação do balanço.
Com informações de G1




