Receita ainda não define cronograma para declaração do IR que só exigiria confirmação dos contribuintes
O supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, informou nesta quarta-feira (1º) que o órgão não estabeleceu uma data para disponibilizar ao público uma versão da declaração do IR totalmente pré-preenchida, na qual o contribuinte apenas validaria os dados fornecidos pela Receita.
O pedido para avançar nessa direção foi feito pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo Fonseca, a solicitação chegou ao Fisco na terça-feira, 31 de março, e ainda precisa ser avaliada para identificar o que falta e traçar um cronograma de implementação. “Temos ainda que avaliar o que falta e traçar um caminho. Não temos essa data [de liberar o novo formato para o público]”, afirmou o supervisor.
O formato integral, quando implementado, será uma evolução da declaração pré-preenchida atualmente disponível, que já importa automaticamente diversas informações — embora não todas. A Receita estima que a pré-preenchida abrangerá cerca de 60% dos contribuintes neste ano.
Atualmente, a declaração pré-preenchida carrega rendimentos, deduções, bens e direitos e dívidas e ônus reais sem que o contribuinte precise digitar esses dados. Para usar esse modelo é necessário ter conta nos níveis prata ou ouro no portal gov.br. Quem não faz a declaração pessoalmente pode autorizar o acesso à pré-preenchida por meio do site ou do aplicativo “Meu Imposto de Renda”, concedendo acesso a um CPF ou CNPJ sem compartilhar a senha do gov.br.
A Receita explica que o caminho para a declaração totalmente pré-preenchida será gradual, à medida que o órgão passe a obter mais informações diretamente das fontes pagadoras e dos registros de bens e direitos, oferecendo esses dados para validação do contribuinte e reduzindo a necessidade de preenchimentos manuais.
Para controlar a consistência das informações, a Receita já utiliza supercomputadores e ferramentas de inteligência artificial e aplica mais de 160 filtros de checagem nas declarações. Entre os dados checados estão rendimentos; movimentações financeiras no PIX acima de R$ 2 mil por mês; pagamentos no débito acima de R$ 2 mil por mês; gastos com cartões de crédito acima de R$ 2 mil por mês; aluguéis; despesas médicas (com recibos digitais a partir de 2025); operações no mercado acionário e criptoativos; automóveis; aplicações em renda fixa; número de dependentes; gastos com educação; previdência complementar; despesas com empregados domésticos; informações sobre imóveis, inclusive compra e venda; carnê leão; bens no exterior; deduções por incentivo cultural; e contribuições a entidades beneficentes.
O objetivo desses cruzamentos é verificar se os valores informados pelos contribuintes estão corretos e identificar eventuais ajustes necessários. Esses mesmos dados devem alimentar a versão totalmente pré-preenchida, que é a meta apontada pelo ministro Dario Durigan.
Com informações de G1




