Renegade atualizado mira recuperação de vendas, mas novidades são limitadas
O Jeep Renegade recebeu uma atualização para a linha 2027 com mudanças externas discretas, interior simplificado e a introdução de um sistema híbrido leve. A montadora afirma que as alterações têm o objetivo de frear a queda nas vendas do modelo, que hoje ocupa a 11ª posição entre os SUVs no Brasil.
O utilitário conservou a maior parte da carroceria anterior; as diferenças mais perceptíveis ficam na dianteira, com novos detalhes no para-choque e na grade, visíveis principalmente durante o dia. À noite, as alterações ficam menos evidentes devido ao uso de elementos escuros e plástico cobrindo parte da frente.
No interior, as mudanças são mais notáveis. A central multimídia cresceu duas polegadas, passando a 10,1 polegadas, e foi reposicionada mais próxima da linha de visão, o que facilita o acesso aos comandos. O console central foi elevado — deslocado de uma posição mais baixa, próxima à canela, para uma altura mais próxima ao joelho —, e o painel frontal perdeu a alça, adotando superfície mais lisa em linha com uma estética minimalista.
Como novidade mecânica, o Renegade incorpora um sistema híbrido leve já aplicado pela Stellantis em modelos como Pulse e Fastback em 2025. O conjunto não aciona as rodas e, segundo a Jeep, reduz o consumo em cerca de 9%. Na prática, durante avaliação em Itupeva (SP), não houve percepção clara de ganho significativo de eficiência. O sistema acrescenta até 15 cv ao motor 1.3 turbo de 176 cv e torque de 27,5 kgfm, resultando em respostas ao acelerador mais rápidas: o tempo de reação passou a ficar abaixo de um segundo, contra um a dois segundos da versão apenas a combustão.
Apesar da eletrificação, o Renegade continua com suspensão firme e direção leve. A combinação tem compensado a tendência de rolagem em curvas devido à altura do veículo, mantendo estabilidade sem provocar desconforto que se destacasse no teste.
A linha 2027 é composta por quatro versões, com preços entre R$ 141.990 e R$ 189.490:
Altitude — R$ 141.990: central de 10,1″, rodas aro 17, saída de ar traseira, ar-condicionado digital duas zonas, teto bicolor, chave presencial e painel digital de 7″.
Longitude — R$ 158.690: inclui motor híbrido, rodas aro 18, bancos e volante em couro, carregador por indução e sensor de estacionamento traseiro.
Sahara — R$ 175.990: adiciona aplicativo para recursos remotos, Alexa integrada, ajuste elétrico do banco do motorista, teto solar panorâmico, monitoramento de ponto cego e sensor de estacionamento dianteiro.
Willys — R$ 189.490: mantém motor apenas a combustão, rodas aro 17, pneus de uso misto e tração 4×4.
A versão Sport, que custava R$ 118.290, foi descontinuada. A Jeep informou que as vendas desse modelo eram fortemente influenciadas por descontos para o público PCD e que a redução da oferta faz parte de uma mudança estratégica, sem relacionar diretamente a outros lançamentos. A marca já anunciou a chegada do Jeep Avenger ao Brasil em 2026, que ocupará a posição de SUV mais acessível da linha e será produzido em Porto Real (RJ). O Avenger tem 4,08 m de comprimento, 1,53 m de altura, 1,77 m de largura e entre-eixos de 2,56 m, além de porta-malas de 380 litros e motor 1.0 turbo de 130 cv e 25 kgfm.
Desde o lançamento em 2015, o Renegade perdeu participação no segmento. Depois de ocupar posições de destaque, incluindo o topo em 2019 e 2021, o modelo registrou 44.793 emplacamentos em 2025 — menos da metade das 92.837 unidades do Volkswagen T‑Cross e atrás do Hyundai Creta, com 76.156 unidades no mesmo período. Em 2025 a Jeep ficou apenas 38 unidades à frente da linha Song da BYD, cujos modelos são todos híbridos.
O Renegade renovado estreia com preços mais altos na gama, continuidade de comportamento dinâmico similar ao anterior e com uma eletrificação de caráter moderado, em um mercado cada vez mais competitivo.
Com informações de G1




