Transmissão: Record
O abismo entre os preços da carne bovina e da suína alcançou o nível mais alto desde 2022, segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP). Em março de 2026, a diferença entre as cotações das carcaças bovina e suína ficou em R$ 14,26 por quilo, elevação de 6,8% em relação a fevereiro.
O Cepea atribui o movimento oposto das duas proteínas à combinação de menor liquidez no mercado suinícola, influenciada pelo período da Quaresma, e ao avanço das exportações de carne bovina, cujo ritmo de embarques já vinha acelerado desde 2025.
Preços e variações
De acordo com boletins divulgados pelo Cepea nesta quinta-feira (9), a carcaça casada bovina comercializada na Grande São Paulo registrou valorização de 2,6% entre fevereiro e março, com média de R$ 24,32 o quilo em março de 2026. Já a cotação média da carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo fechou em R$ 10,06 o quilo em março, recuo de 2,8% em relação a fevereiro.
Em uma legenda de arquivo citada na matéria, consta ainda que em fevereiro a carcaça suína registrou alta de 10,8% frente a janeiro, alcançando R$ 13,20 o quilo.
Exportações e mercado externo
O movimento de alta nas exportações de carne bovina in natura, iniciado no ano anterior, permaneceu intenso no primeiro trimestre de 2026. Segundo a Secex, entre janeiro e março foram exportadas 701,662 mil toneladas, volume 19,7% superior ao mesmo período de 2025 e 36,6% acima de 2024, conforme destaca o Cepea.
Além do crescimento em volume, a valorização da carne brasileira no mercado internacional também influenciou os preços domésticos. Em março, o preço médio por tonelada foi de US$ 5.814,80, aumento de 3,1% na comparação com fevereiro e de 18,7% ante março de 2025. Esse cenário externo contribuiu para sustentar os valores do boi gordo no mercado interno ao longo de março.
Mercado doméstico e suinocultura
No início de abril, o Cepea registrou que os preços do boi gordo, do bezerro e da carne mantinham trajetória de alta, puxados pela demanda externa e pela oferta restrita de animais prontos para abate.
No segmento suinícola, os preços médios do suíno vivo caíram até 20% em fevereiro de 2026 nas regiões produtoras do interior de São Paulo, incluindo Piracicaba. O suíno vivo foi comercializado em média a R$ 6,91 o quilo em fevereiro; em janeiro o preço era de R$ 8,24 o quilo na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba). Em comparação com fevereiro de 2025, quando o suíno vivo foi negociado a R$ 8,66/kg, a queda foi de 20%.
Pesquisadores do Cepea também destacaram preocupação do setor com o conflito no Oriente Médio, em especial envolvendo o Irã, que pode afetar canais de escoamento e elevar custos de frete e seguro marítimo. Embora a região não seja um destino relevante para a carne suína brasileira por questões religiosas, o aumento nos custos logísticos preocupa exportadores.
As informações fazem parte de boletins do Cepea divulgados nesta semana pelo centro de pesquisas da USP em Piracicaba.
Com informações de G1




