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terça-feira, outubro 20, 2026

Diferença entre cotações da carne bovina e suína atinge maior patamar em quatro anos, aponta USP

Transmissão: Record

O abismo entre os preços da carne bovina e da suína alcançou o nível mais alto desde 2022, segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP). Em março de 2026, a diferença entre as cotações das carcaças bovina e suína ficou em R$ 14,26 por quilo, elevação de 6,8% em relação a fevereiro.

O Cepea atribui o movimento oposto das duas proteínas à combinação de menor liquidez no mercado suinícola, influenciada pelo período da Quaresma, e ao avanço das exportações de carne bovina, cujo ritmo de embarques já vinha acelerado desde 2025.

Preços e variações

De acordo com boletins divulgados pelo Cepea nesta quinta-feira (9), a carcaça casada bovina comercializada na Grande São Paulo registrou valorização de 2,6% entre fevereiro e março, com média de R$ 24,32 o quilo em março de 2026. Já a cotação média da carcaça especial suína no atacado da Grande São Paulo fechou em R$ 10,06 o quilo em março, recuo de 2,8% em relação a fevereiro.

Em uma legenda de arquivo citada na matéria, consta ainda que em fevereiro a carcaça suína registrou alta de 10,8% frente a janeiro, alcançando R$ 13,20 o quilo.

Exportações e mercado externo

O movimento de alta nas exportações de carne bovina in natura, iniciado no ano anterior, permaneceu intenso no primeiro trimestre de 2026. Segundo a Secex, entre janeiro e março foram exportadas 701,662 mil toneladas, volume 19,7% superior ao mesmo período de 2025 e 36,6% acima de 2024, conforme destaca o Cepea.

Além do crescimento em volume, a valorização da carne brasileira no mercado internacional também influenciou os preços domésticos. Em março, o preço médio por tonelada foi de US$ 5.814,80, aumento de 3,1% na comparação com fevereiro e de 18,7% ante março de 2025. Esse cenário externo contribuiu para sustentar os valores do boi gordo no mercado interno ao longo de março.

Mercado doméstico e suinocultura

No início de abril, o Cepea registrou que os preços do boi gordo, do bezerro e da carne mantinham trajetória de alta, puxados pela demanda externa e pela oferta restrita de animais prontos para abate.

No segmento suinícola, os preços médios do suíno vivo caíram até 20% em fevereiro de 2026 nas regiões produtoras do interior de São Paulo, incluindo Piracicaba. O suíno vivo foi comercializado em média a R$ 6,91 o quilo em fevereiro; em janeiro o preço era de R$ 8,24 o quilo na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba). Em comparação com fevereiro de 2025, quando o suíno vivo foi negociado a R$ 8,66/kg, a queda foi de 20%.

Pesquisadores do Cepea também destacaram preocupação do setor com o conflito no Oriente Médio, em especial envolvendo o Irã, que pode afetar canais de escoamento e elevar custos de frete e seguro marítimo. Embora a região não seja um destino relevante para a carne suína brasileira por questões religiosas, o aumento nos custos logísticos preocupa exportadores.

As informações fazem parte de boletins do Cepea divulgados nesta semana pelo centro de pesquisas da USP em Piracicaba.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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