Pesquisas que avaliem a percepção de cidadãos em diferentes países são necessárias para entender como o mundo enxerga os produtores do setor agropecuário e, a partir daí, comparar essas impressões com a visão interna da sociedade brasileira.
Segundo o texto, somente com estudos multiculturais será possível alinhar estratégias comerciais ligadas a alimentos, energia, fibras e meio ambiente com a imagem que se deseja comunicar. A matéria afirma que imagem não é fruto do acaso, mas resultado de planejamento e criação.
O artigo lembra que o termo “commodities” data do século XV e designa mercadorias ou matérias-primas indiferenciadas quanto à origem do produtor, com preços guiados pela oferta e pela procura internacionais. No entanto, aponta-se que o setor caminha para uma “descommoditização”: produtos vinculados à ciência, tecnologia e práticas regenerativas vão receber identificação de origem, indicações geográficas e selos relacionados a responsabilidade social, ambiental e à saúde vinculada à origem agropecuária.
O texto ressalta que a saúde relacionada aos alimentos começa na origem, antes dos processos industriais, do comércio e das embalagens, e que essa mudança fará com que o mercado deixe de enxergar apenas “commodities” e passe a valorizar marcas de terroir e os responsáveis pela produção. A peça afirma ainda que a agricultura influencia diretamente a ponta do consumo final.
Exemplos citados para ilustrar marcas ligadas à origem incluem o algodão do Egito, o café da Colômbia, os lácteos da Nova Zelândia, as flores da Holanda, as frutas do Chile, as maçãs de Seattle, além de vinhos e turismo da Toscana e sidras das Astúrias.
No caso do Brasil, o texto destaca que as práticas tropicais e as condições climáticas brasileiras apresentam diferenciais que podem ser explorados por meio de estudos de percepção e ações de comunicação persuasiva, com o objetivo de evitar que o país seja visto apenas como mais um fornecedor de commodities. A matéria sugere que o agro precisa evoluir para uma lógica de branding.
O artigo também pontua que a vasta diversidade produtiva do país — em referência a itens que vão do abacate ao zebu — compõe uma oferta de sabor, saúde, beleza, energia e segurança ambiental, e reforça que o Brasil representa um encontro de culturas.
Não basta ser, precisamos comunicar para valorizar e perceber.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
Com informações de Uberlandianofoco




