O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) realizou 14 ocupações de terra em Pernambuco no âmbito da jornada “Abril Vermelho”, que marca ações por reforma agrária e memória de militantes mortos. Segundo o movimento, as mobilizações já mobilizaram mais de 4,4 mil famílias no estado.
O movimento diz transformar o luto em luta desde episódios como o atropelamento do militante Gideone Menezes, ocorrido há um ano durante uma marcha no Recife e que levou à morte do ativista dias depois. Os organizadores também lembram o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 21 sem-terra foram assassinados por policiais militares; apenas dois militares foram condenados pelo episódio.
A ocupação mais recente ocorreu no sábado (18), quando 70 famílias passaram a ocupar áreas da fazenda Heleno Paulo, em Cupira, no Agreste. O MST afirma que capangas têm tentado forçar a saída das famílias.
No Agreste, além de Cupira, foram montados acampamentos nas fazendas Minador (50 famílias), entre Caetés e Pedra; Vado Marcolino (100 famílias), em Jataúba; uma ocupação em Taquaritinga do Norte com 600 famílias; e uma segunda ocupação na Fazenda Minador, em Saloá, com 100 famílias. Essas cinco ações reúnem, segundo o movimento, 920 famílias na região.
No Sertão, as ocupações registradas incluem a fazenda Sítio Ponta da Ilha, em Cabrobó, com 350 famílias, e a fazenda Pontalino, em Lagoa Grande, com aproximadamente 1.500 famílias, totalizando cerca de 1,8 mil famílias na região.
Na Zona da Mata, o MST informa três ocupações que somam cerca de 550 famílias: na Fazenda Raiz, em Amaraji (150 famílias); no Engenho Cajoca, em Pombos (300 famílias); e na Estação Experimental de Itapiretama, vinculada ao Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em Goiana.
Na Região Metropolitana do Recife, quatro ocupações em São Lourenço da Mata reúnem mais de 1,1 mil famílias, segundo o movimento. As ações ocorreram em terrenos do projeto Cidade da Copa (300 famílias), em áreas da Usina Bulhões (283 famílias), no engenho Camaçari (280 famílias) e no engenho Curupaty (180 famílias), totalizando, na avaliação dos organizadores, cerca de 1.000 famílias. Exceto pela área do projeto Cidade da Copa, próxima à Arena Pernambuco, as demais são terras arrendadas pelo grupo empresarial Petribu, que atua com produção de cana-de-açúcar e criação de bovinos.
O MST informou ainda que já existe na região o assentamento Maria Paraíba, onde vivem 83 famílias nas antigas terras do Engenho Colégio. De acordo com um coordenador do MST na Região Metropolitana, José Severino da Silva, o grupo empresarial teria invadido áreas do assentamento, o que motivou novas ocupações em março e abril para reivindicar territórios ociosos e ampliar a presença em áreas vizinhas, como a Usina Bulhões e os engenhos Camaçari e Curupaty.
Segundo o coordenador, a comunidade Matriz da Luz passou a se vincular ao MST em busca de maior força política após episódios de violência local, incluindo o assassinato de um morador que, segundo relatos, foi morto por seguranças de uma usina vizinha por suspeita de cortar cana.
O veículo Brasil de Fato informou que procurou o grupo Petribu por e-mail, mas não obteve resposta até o momento.
Com informações de Uberlandianofoco




