Dois gêmeos de 18 anos criados em uma cidade de cerca de 20 mil habitantes no interior de São Paulo foram aceitos em universidades americanas de alto prestígio: Mateus e Camila Shida receberam propostas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e da Universidade Cornell, respectivamente. A trajetória dos irmãos inclui estímulo à leitura desde a infância, alfabetização precoce e participação em competições acadêmicas internacionais.
Filhos de uma dentista, Lucila, e de um agrônomo, os dois foram expostos a um ambiente doméstico que privilegiava livros desde os primeiros meses de vida. Segundo os jovens, obras infantis eram deixadas perto dos berços e lidas com frequência, prática que despertou o gosto pela leitura. Mateus conta que chegou a ler mais de 50 livros em um único ano, durante a pandemia.
Os pais também limitaram a exposição a telas: Mateus afirma que só ganhou celular aos 15 anos. Jogos de tabuleiro e de cartas integraram a rotina e, na avaliação da mãe, ajudaram a desenvolver autocontrole, estratégia e persistência.
A alfabetização foi iniciada muito cedo: ambos aprenderam a ler em português aos 2 anos e já dominavam leitura em inglês aos 3. A família optou por aulas particulares de inglês com três professores diferentes — dois on-line e um presencial — para ampliar pronúncias e métodos de ensino.
Outro elemento marcante na formação dos irmãos foi o soroban, o ábaco japonês, que exigiu treino intenso e levou a dupla a competir em eventos em Taiwan e no Japão. Mateus chegou a treinar até cinco horas por dia após a escola. Além disso, participaram de diversas olimpíadas escolares, como a OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica) e a OBR (Olimpíada Brasileira de Robótica).
Os gêmeos descrevem uma rivalidade saudável: a presença do outro elevava o padrão de desempenho. No fim do ensino fundamental, receberam tutoria à distância do Curso Etapa; já no ensino médio, mudaram-se para São Paulo e passaram a estudar presencialmente na mesma instituição, com bolsas de 75% para Camila e 100% para Mateus.
Bastos, município com forte herança japonesa conhecido como “Capital do Ovo”, influenciou valores como disciplina e o sentido de retribuição à comunidade. Na adolescência, ambos criaram um projeto voluntário para ensinar matemática em escolas públicas locais.
Apesar da intensa dedicação acadêmica, mantiveram atividades físicas regulares — dança, baseball e beach tennis — e vivenciaram momentos de tensão na hora das respostas das universidades. Mateus recebeu a confirmação de Cornell enquanto jogava no clube da cidade e só pôde comemorar ao chegar em casa; Camila recebeu a aceitação do MIT em 14 de março, no “Pi Day”.
O custo estimado para estudar em instituições como Cornell ou MIT pode variar entre US$ 90 mil e US$ 100 mil por ano, mas as famílias são orientadas a buscar as possibilidades de auxílio: o MIT admite primeiro e depois analisa a necessidade financeira para conceder apoio, enquanto Cornell considera o perfil acadêmico junto à realidade do candidato.
A rede familiar também registra outras aprovações em universidades estrangeiras: duas primas estudam na Universidade de Michigan e em Notre Dame, e a irmã mais velha dos gêmeos cursa medicina na Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Um primo de 17 anos, atualmente no terceiro ano do ensino médio, pretende seguir medicina em instituições como USP ou Unicamp.
Camila e Mateus dizem estar preparados para iniciar os estudos nos Estados Unidos a partir do segundo semestre, apoiados pela trajetória acadêmica e pelo ambiente familiar que incentivou leituras, educação formal precoce e participação em competições.
Com informações de G1




