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segunda-feira, setembro 14, 2026

Minas Gerais registrou um assassinato e 35 casos de trabalho escravo rural em 2025, diz CPT

Minas Gerais teve um assassinato e duas tentativas de homicídio relacionadas a conflitos no campo em 2025, segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) durante o lançamento da 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil, nesta segunda-feira (27). No mesmo período, o estado contabilizou 35 casos de trabalho escravo rural, envolvendo 311 trabalhadores nas denúncias.

Os números colocam Minas entre as unidades da federação com registros de violência agrária e exploração de trabalhadores no campo. Em comparação com 2024, quando foram apontados 37 casos de trabalho escravo rural e 480 trabalhadores nas denúncias, houve redução tanto no total de ocorrências quanto no número de pessoas relacionadas às denúncias no estado.

O levantamento da CPT também indica que, nos últimos dez anos, Minas Gerais acumulou 388 ocorrências de trabalho escravo rural e 3.987 trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão.

Em âmbito nacional, o relatório mostra redução no total de conflitos, mas aponta avanço da violência no campo. O número geral de ocorrências caiu 28%, passando de 2.207 registros em 2024 para 1.593 em 2025. Apesar da queda nos registros, os assassinatos de trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas e outros povos ligados à terra dobraram, subindo de 13 para 26 vítimas.

A maioria dos homicídios foi registrada na Amazônia Legal, com casos no Pará, Rondônia e Amazonas. Para Larissa Rodrigues, integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, os dados refletem o avanço de disputas territoriais e a atuação conjunta entre grilagem, crime organizado e setores econômicos sobre áreas públicas e protegidas.

O relatório aponta ainda aumento em outros tipos de violência no campo: prisões passaram de 71 para 111 registros; humilhações, de cinco para 142; e casos de cárcere privado, de um para 105. Conflitos por terra representam 75% das ocorrências nacionais, afetando principalmente povos indígenas, posseiros, quilombolas e trabalhadores sem-terra.

Quanto ao trabalho escravo no país, foram 159 ocorrências em 2025, alta de 5% frente a 2024, e 1.991 trabalhadores resgatados, aumento de 23%. Entre os casos citados pela CPT está o resgate de 586 trabalhadores em obra de construção de usina em Porto Alegre do Norte (Mato Grosso), em que foram relatadas condições de alojamento precário, superlotação e falta de água e energia.

As atividades econômicas com maior número de trabalhadores resgatados foram construção de usinas, lavouras, produção de cana-de-açúcar, mineração e pecuária. No evento de lançamento, a CPT apresentou também o Observatório Socioambiental, desenvolvido em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), que reúne dados sobre violações de direitos humanos, desmatamento e expansão da agricultura industrial entre 1980 e 2023.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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