A 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba determinou a suspensão das atividades da empresa Gathi Gestão, Transportes e Serviços Ltda. no contrato de transporte escolar rural do município, medida tomada no curso da Operação “Todas por Uma”, que apura suposto esquema de fraude em licitação e falsidade ideológica.
Segundo comunicado da prefeitura e informações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o pregão eletrônico nº 044/2024 — cujo valor total excede R$ 72 milhões — teria sido manipulado. As investigações apontam que as três empresas classificadas nas primeiras posições manteriam vínculos entre si e atuaram de modo coordenado para direcionar o resultado do certame.
Na decisão, o juiz Marco Antônio Macedo Ferreira registrou elementos que indicam alteração de informações pela Gathi para obter habilitação na disputa, situação que prejudicaria a livre concorrência. Por essa razão, o magistrado considerou necessária a suspensão das atividades da empresa, uma vez que sua atuação econômica está diretamente relacionada às irregularidades apuradas.
A administração municipal informou que o atendimento aos cerca de 1,5 mil alunos da zona rural não será interrompido. A Justiça reconheceu a essencialidade do serviço e autorizou a empresa Ubervan, que já opera parte do sistema, a permanecer responsável pelos trajetos escolares enquanto perdurar a medida.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que notificará a Ubervan para assumir as rotas onde houver problemas de cumprimento, sob pena de aplicação de sanções contratuais caso haja descumprimento.
A operação, deflagrada em 18 de novembro de 2025, é resultado de ação conjunta do MPMG, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e de forças policiais. O promotor Eduardo Fantinati informou que as apurações tiveram início a partir de uma denúncia anônima e da representação formal de uma concorrente.
A Justiça também determinou o sequestro de imóveis e veículos dos investigados, cujo montante chega a cerca de R$ 12 milhões. Análises de contratos sociais teriam revelado falsidade ideológica e alterações societárias em empresas coligadas com o objetivo de simular competitividade.
O MPMG declarou, até o momento, não haver indícios de participação de servidores da prefeitura no esquema. A Controladoria-Geral do Município forneceu dados técnicos às investigações.
Fantinati ressaltou que a operação foi programada para o fim do ano letivo para reduzir o impacto sobre os alunos e alertou: “O serviço continua sendo pago e, se os recursos forem desviados para outra finalidade, isso poderá configurar novo crime”. O promotor não descartou pedidos de prisão preventiva caso o transporte seja interrompido deliberadamente pelos investigados.
A possível anulação definitiva do contrato dependerá da análise dos documentos, computadores e celulares apreendidos durante as buscas.
Com informações de Regionalzao




