Leitura profunda e transformação cerebral
O que: Pesquisas e especialistas em neurociência e educação mostram que a leitura altera a estrutura do cérebro e que a “leitura profunda” traz benefícios cognitivos e emocionais.
Quem: Entre os nomes citados estão a neurocientista Maryanne Wolf, a escritora Cressida Cowell, a biblioterapeuta Ella Berthoud, a pesquisadora Anne Mangen e autores como Chris Meade. Também são mencionadas iniciativas como o programa E-READ e movimentos de narrativa transmídia.
Quando: Informação apresentada em reportagem baseada em vídeo e divulgada com data no título: 01/11/2021.
Onde: Estudo e argumentos citados remetem a pesquisas internacionais e ao trabalho de especialistas nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (COST), que apoia a E-READ.
Como: A alfabetização exige a criação de circuitos neurais novos porque a leitura não é inata; é um código simbólico visual e verbal. Segundo Maryanne Wolf, aprender a ler modifica conexões entre áreas visuais, de linguagem, de pensamento e emoção. Quando a leitura avança da decodificação para a fluência, caminhos neurais se tornam mais eficientes, liberando tempo cognitivo para pensamentos mais profundos.
Por que: A leitura profunda envolve inferências e analogias e ativa grande parte do córtex cerebral, promovendo pensamento crítico, analítico e empatia. A prática está associada a ganhos como criatividade, inteligência e maior capacidade empática, benefícios terapêuticos e aprimoramento do pensamento analítico.
Pesquisadores observam que, embora atualmente as pessoas leiam mais palavras — estimadas em cerca de 100 mil por dia — grande parte desse volume está fragmentada em trechos curtos nas telas. Essa mudança de hábito leva muitos leitores a uma leitura superficial, que não consolida informações com a mesma profundidade que textos longos lidos em papel.
Anne Mangen, à frente da E-READ, afirma que a digitalização tem tornado a leitura mais intermitente e fragmentada e que, para textos cognitivamente ou emocionalmente exigentes, a compreensão tende a ser inferior na tela comparada ao papel. Maryanne Wolf acrescenta que não é apenas a quantidade de leitura, mas o modo como se lê que importa, e que circuitos cerebrais podem se moldar às características do meio.
A reportagem também registra que a leitura tem efeitos terapêuticos reconhecidos historicamente — desde avisos nas portas de bibliotecas na Grécia Antiga até a biblioterapia formalizada no século 20 — e que tipos diferentes de texto exercem funções distintas: romances podem aumentar empatia e motivação, contos podem confortar e poesia pode estimular áreas relacionadas à memória.
Especialistas citados defendem que novas mídias oferecem formatos variados e oportunidades narrativas, enquanto alertam para o risco de perder habilidades associadas à leitura profunda se estas não forem praticadas. A expectativa é que o desenvolvimento de um “cérebro biletrado” permita escolher o meio adequado ao tipo de leitura desejada.
O texto reúne evidências de que a leitura molda o cérebro e que manter práticas de leitura profunda é importante para preservar capacidades complexas de compreensão e imaginação.
Com informações de G1




