TRANSMISSÃO: Record
Estado detém propriedade da terra; moradores podem ser realocados ou indenizados
Na China, a propriedade do solo pertence ao Estado e quem adquire um imóvel obtém, na prática, uma concessão de uso por 70 anos. Esse modelo, mostrado na série “Entre Dois Mundos”, exibida no programa Fantástico, afeta diretamente o crescimento urbano, permitindo que autoridades decidam demolições e reconstruções em larga escala.
Quando o governo resolve transformar uma área — seja para abrir vias, erguer complexos comerciais ou realizar obras de modernização — os moradores recebem alternativas: aceitam uma compensação financeira ou trocam o imóvel por outro apontado pela administração. É o caso da família da senhora Wang e do filho, Lawrence. Eles moravam em um apartamento pequeno perto do centro de Xangai até serem informados sobre a demolição da região para novos empreendimentos. Em substituição, ganharam uma unidade nova, com três quartos e infraestrutura moderna, localizada aproximadamente uma hora e meia distante do antigo endereço.
Segundo Lawrence, a maioria dos residentes opta pela mudança, já que os imóveis entregues costumam ser maiores e mais modernos, o que para muitos representa uma chance de melhora nas condições de moradia. Por outro lado, há resistência entre moradores mais velhos, que perdem laços sociais e relações de vizinhança construídas ao longo da vida. Wang relata que pessoas que passaram a infância no mesmo bairro sentem com intensidade a ruptura dessas conexões.
O sistema de posse estatal é também um fator que explica a velocidade das obras na China. Com um único partido no poder por décadas, o país tem conseguido planejar e executar grandes projetos com menos embates políticos, disputas judiciais e interferências privadas que são comuns em democracias ocidentais. Em Xangai, por exemplo, quarteirões tradicionais frequentemente convivem com arranha-céus recém-erguidos, indicando que áreas antigas podem ser reinspecionadas e transformadas a qualquer momento.
O contraste aparece quando cidades como Nova York são comparadas a Xangai: em sistemas onde a propriedade privada tem proteção mais forte, a resistência dos moradores e processos legais podem postergar intervenções urbanas por longos períodos, enquanto na China a coordenação estatal acelera obras, mesmo que as vontades individuais tenham pouco peso.
As mudanças de bairro e a lógica de concessão de uso mostram como o regime de propriedade do solo influencia planejamento urbano, mobilidade populacional e disputas sobre espaço nas grandes cidades chinesas.
Com informações de G1




