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quarta-feira, outubro 28, 2026

26/04/1986 — O cientista que percorre o labirinto radioativo sob o reator 4 de Chernobyl

Anatolii Doroshenko, pesquisador do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares (ISPNPP), realiza inspeções mensais em uma rede subterrânea de salas de controle localizada cerca de 10 metros abaixo do reator 4 da usina de Chernobyl, destruído pela explosão de 26/04/1986. A atividade, descrita por publicações científicas como uma das mais perigosas do mundo, consiste em revisar aparelhos, coletar amostras, instalar detectores e monitorar o combustível nuclear restante.

O labirinto sob o reator está totalmente contaminado: pisos, equipamentos, paredes e o próprio ar contêm radioatividade. Em alguns compartimentos, os níveis são tão elevados que as tarefas precisam ser concluídas em menos de quatro minutos; em outras áreas a radiação impede qualquer permanência humana. Para se orientar, a equipe usa mapas de contaminação que identificam as zonas de maior risco e sinalização interna das passagens.

As condições físicas do local variam: trechos são escuros, exigem lanternas, e corredores muito estreitos obrigam os técnicos a se deslocarem agachados. Entre os destroços, há tubos com água radioativa e formações de cório — o material resultante da fusão do combustível com a estrutura do reator —, incluindo a famosa “pata de elefante”, de alta radioatividade.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, ainda permanecem cerca de 200 toneladas de combustível nuclear na unidade 4. A remoção completa desse material deve levar décadas; estimativas apontam um trabalho de recuperação ao longo de aproximadamente 40 anos. O reator está contido por um sarcófago original e pelo Novo Confinamento Seguro, um dossel de aço projetado para vedar o local por cem anos e com altura superior à da Estátua da Liberdade.

Para entrar nas galerias, Doroshenko e colegas vestem várias camadas de proteção: coberturas para braços e calçados, e um respirador FFP2 com válvula; em trechos de passagem muito estreitos, acrescentam um traje de polietileno. Ao final da atividade, passam por pontos de controle onde retiram as roupas, que são descontaminadas ou destruídas quando necessário, seguem para duchas obrigatórias e passam por estação de dosimetria para verificar a presença de partículas radioativas no corpo.

O pesquisador, que trabalha na usina há 12 anos, afirma que o receio é um elemento que contribui para a vigilância e o cumprimento rigoroso de procedimentos de segurança, evitando que a rotina leve à normalização do risco. Ele participa de exames médicos anuais e mantém, sempre que possível, períodos de descanso à beira-mar. Apesar dos perigos, planeja continuar realizando as inspeções enquanto houver necessidade e substitutos qualificados não estiverem disponíveis.

O trabalho de monitoramento e contenção em Chernobyl, segundo Doroshenko, é essencial para impedir processos fora de controle e garantir que os resíduos de combustível nuclear permaneçam vigiados, evitando que o local seja esquecido.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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