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sábado, outubro 24, 2026

O que o cérebro de Shakira mostra sobre quem fala mais de um idioma

TRANSMISSÃO: Record

A cantora Shakira domina seis idiomas — espanhol, inglês, italiano, francês, catalão e árabe — e seu cérebro ilustra como pessoas multilíngues conseguem alternar entre línguas sem confusão, segundo especialistas ouvidos pelo G1.

Shakira fala espanhol como língua materna; tem vocabulário amplo em inglês e já participou de programas como o de Jimmy Fallon; mantém fluência avançada em italiano, dispensando tradutores; comunica-se em francês apesar de eventuais deslizes; aprendeu catalão durante a estadia em Barcelona (incluindo canções como “Boig per Tu”); e conhece expressões isoladas em árabe por sua ascendência libanesa. Esses diferentes conhecimentos linguísticos exigem do sistema nervoso um controle contínuo para selecionar a língua adequada e inibir as demais.

Como o cérebro gerencia várias línguas

O neurologista Felipe Barros, do Hospital Sírio-Libanês, explica que os idiomas não ficam guardados em compartimentos separados no cérebro, mas permanecem ativos ao mesmo tempo. Quando uma pessoa fala em uma língua, o cérebro ativa mecanismos inibitórios para suprimir palavras e regras gramaticais das línguas não utilizadas. Assim, ao dar uma entrevista em italiano, por exemplo, o sistema nervoso precisa bloquear interferências do português e do inglês.

Barros descreve esse funcionamento como um controle de “chaveamento” (code-switching), um processo executivo que seleciona a língua a ser usada e monitora a fala para evitar trocas erradas. Comparando com um semáforo neural, o cérebro sinaliza “verde” para a língua escolhida e “vermelho” para as outras.

Regiões cerebrais envolvidas

As áreas tradicionalmente associadas à linguagem e ao controle cognitivo são acionadas nesse gerenciamento:

  • Áreas de Broca e Wernicke — produção e compreensão da linguagem, sons e gramática;
  • Córtex pré-frontal dorsolateral — gerência da memória de trabalho e alternância entre tarefas linguísticas;
  • Córtex cingulado anterior — monitoramento de conflitos entre línguas e detecção de erros;
  • Núcleos da base — participação na troca de um idioma para outro.

Impactos na estrutura e na função cerebral

O uso frequente de vários idiomas estimula a neuroplasticidade: estudos mostram aumento da densidade de substância cinzenta e melhora na integridade da substância branca, o que facilita a comunicação entre regiões cerebrais. Esse “treino” também traz vantagens cognitivas, como maior flexibilidade para mudar de estratégia, atenção seletiva aprimorada, memória de trabalho mais eficiente e capacidade superior de filtrar ruídos em ambientes barulhentos (efeito coquetel).

A pesquisadora Cida Caltabiano, doutora em Linguística Aplicada pela Unicamp e professora da PUC-SP, ressalta que a exposição constante aos idiomas é fundamental. Atividades prazerosas, como ouvir e cantar músicas, ajudam a afinar a percepção sonora e a produção vocal. O contato precoce com outras línguas favorece o aprendizado: crianças acostumadas desde cedo a nomear objetos em mais de uma língua incorporam essa alternância com naturalidade. Barros acrescenta que adultos também podem atingir proficiência, embora exijam mais esforço do córtex frontal para gerenciar o novo vocabulário.

Segundo os especialistas, a maior diferença estrutural ocorre quando alguém passa do monolinguismo para o bilinguismo; a partir do terceiro e quarto idioma, o cérebro se torna mais eficiente no aprendizado de novas línguas. Além disso, a prática constante de lidar com várias línguas funciona como um fator de reserva cognitiva, podendo atrasar em quatro a cinco anos o aparecimento de sintomas de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Para manter esses benefícios, é necessário contato frequente com os idiomas.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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