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sábado, outubro 24, 2026

Especialistas alertam para perda da escrita à mão e impactos cognitivos

Alerta sobre declínio da caligrafia e efeitos no funcionamento cerebral

Pesquisadores e profissionais de educação alertam para o abandono crescente da escrita à mão e seus possíveis efeitos sobre capacidades cognitivas humanas. Para Adriana Fóz, especialista em neuropsicologia e psicopedagogia, a redução do uso manual da escrita pode resultar em uma “crise de inteligência”, na medida em que a atividade envolve processos mentais diferentes dos acionados no ambiente digital.

Segundo Edna Lúcia Cunha Lima, pesquisadora em tipografia e design, a perda dessa prática representa um empobrecimento do espaço humano: para ela, o gesto de escrever à mão tem dimensão identitária e cognitiva que tende a ser suprimida com a digitalização generalizada.

Especialistas descrevem a escrita manual como uma habilidade milenar que modelou a linguagem e permanece como um exercício cognitivo complexo. Adriana Fóz afirma que escrever à mão desacelera o pensamento, permitindo maior profundidade e o treino de competências que não são desenvolvidas pelo uso predominante de teclados e telas.

No ambiente digital, prevalecem a pressa e o raciocínio rápido, o que, conforme a especialista, reduz espaços para reflexão. Ela observa ainda uma divisão emergente entre pessoas que mantêm práticas de leitura, escrita e reflexão e aquelas que deixam essas atividades de lado.

Países como Suécia, Finlândia e Estados Unidos chegaram a considerar a diminuição do ensino da caligrafia nas escolas, mas retrocederam nas propostas. Em 2024, estudo realizado na Noruega apontou que a escrita manual estimula regiões cerebrais fundamentais para a aprendizagem.

Alunas como Isadora Gadagnotto Moraes, estudante de arqueologia e literatura, relatam que precisam do componente visual e organizado da escrita à mão para compreender melhor os conteúdos, sentimento que ela compara à rapidez e ao formato impessoal da digitação.

O avanço tecnológico não é negado pelos entrevistados: a reportagem foi produzida inicialmente em laptop e depois transcrita manualmente em caderno. Para Edna, o desafio atual é compatibilizar a manutenção da escrita manual com a expansão da inteligência artificial, que altera formas de personalizar documentos e reduz a necessidade de uma assinatura tradicional, ao mesmo tempo em que cria espaço para um retorno ao trabalho manual.

A caligrafia também tem sido valorizada como expressão artística. A designer gráfica Lisa Seiler ensina letras ornamentais e mensagens coloridas em papel e acredita que a dimensão artesanal pode ganhar relevância diante da automação: peças únicas feitas à mão, diz ela, não são facilmente substituíveis por tecnologia.

Quando foi a última vez que você escreveu à mão?

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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