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quinta-feira, setembro 10, 2026

Governo adia por 90 dias portaria que muda regras para abertura do comércio em feriados

O Governo Federal postergou por 90 dias a vigência da Portaria 3.665/2023, que altera os requisitos para a abertura do comércio em feriados em todo o país. O anúncio foi feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego e amplia o prazo para que empregadores e trabalhadores negociem as novas condições aplicáveis a supermercados, farmácias e lojas.

Com a prorrogação, as empresas do varejo e do atacado permanecerão temporariamente regidas pelas regras atuais, enquanto sindicatos e entidades patronais tentam acordar as exigências introduzidas pela portaria. A decisão deverá ser publicada no Diário Oficial da União.

O que prevê a portaria

Publicada originalmente em novembro de 2023, a norma restabelece a obrigatoriedade de autorização por meio de convenção coletiva para que o comércio funcione em feriados, em conformidade com a legislação federal. Na prática, a portaria determina que as empresas deverão:

  • firmar acordo ou convenção coletiva com o sindicato da categoria;
  • observar a legislação municipal aplicável;
  • ajustar práticas internas que atualmente se baseiem em acordos individuais.

A portaria também revoga norma de 2021 que permitia a abertura do comércio com base em acordos individuais entre empregador e trabalhador, modelo apontado como incompatível com as regras vigentes.

Comissão bipartite para negociação

Para buscar consenso entre as partes, será criada uma comissão bipartite composta por dez representantes dos trabalhadores e dez dos empregadores. As entidades terão cinco dias para indicar os nomes ao ministério. O grupo poderá apresentar uma proposta consensual no prazo de até 90 dias, com reuniões previstas para ocorrerem duas vezes por mês, apoio técnico do Ministério do Trabalho e divulgação das datas no Diário Oficial.

O governo afirmou que a medida pretende reforçar o diálogo social e equilibrar interesses econômicos com a proteção de direitos trabalhistas.

Reações e efeitos práticos

A mudança tem gerado debate entre sindicatos e empresários. Organizações de trabalhadores defendem que a exigência de negociação coletiva reforça a legislação e evita abusos nas jornadas; já representantes do setor empresarial alertam para possíveis impactos negativos, como aumento de custos, insegurança jurídica e dificuldades para abertura em feriados, sobretudo para pequenos comerciantes.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) advertiu que a regra pode levar ao fechamento de lojas em municípios onde não há sindicatos estruturados para firmar acordos. O tema ganhou destaque para 2026 porque nove feriados nacionais cairão em dias úteis, o que amplia o alcance da norma.

O Ministério do Trabalho esclareceu que a portaria não modifica as normas sobre trabalho aos domingos, que continuam regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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