Alta de preços alimentares é atribuída à escalada do conflito no Oriente Médio, diz FAO
O custo dos alimentos no mercado internacional voltou a subir, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) por meio da FAO, e a elevação já acendeu um alerta sobre os impactos no sistema alimentar global. Segundo a agência para Alimentação e Agricultura, o índice de preços da FAO alcançou o nível mais alto em três anos.
O diretor-geral da entidade afirmou que a crise deixou o âmbito puramente geopolítico e passou a afetar diretamente o abastecimento mundial de alimentos. Entre os itens com maiores reajustes estão os óleos vegetais, cuja alta tem relação direta com o aumento da demanda por biocombustíveis e com a disparada no preço do petróleo.
Para o trigo, a principal preocupação apontada pela FAO é a escassez de fertilizantes. Antes do início dos confrontos que elevam as tensões na região, cerca de um terço dos fertilizantes comercializados globalmente transitava pelo Estreito de Ormuz, área estratégica que enfrenta bloqueios e forte pressão militar.
Fontes da entidade destacam que a deterioração da situação nos últimos dias agravou a pressão sobre os preços. Nesta semana, novos confrontos provocaram reações diplomáticas e militares: o Irã acusou os Estados Unidos de violar o acordo de cessar-fogo após ataques a dois navios e afirmou que “sempre que uma solução diplomática está sobre a mesa, os Estados Unidos optam por uma aventura militar irreversível”.
Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou, em entrevista, que o cessar-fogo continua em vigor, apesar dos ataques, que qualificou como um “tapinha de amor”. As incertezas sobre a manutenção da trégua e o aumento das hostilidades na região contribuíram para que o preço do petróleo voltasse a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril.
Analistas da FAO alertam que a combinação de preços elevados de energia, maior procura por biocombustíveis e dificuldades no fornecimento de insumos agrícolas, como fertilizantes, tende a pressionar ainda mais os preços dos alimentos no curto prazo, com repercussões no abastecimento global.
A FAO acompanha os desdobramentos no Oriente Médio e monitora os efeitos no comércio internacional de alimentos e insumos agrícolas.
Com informações de G1




