A incorporação cada vez maior da inteligência artificial (IA) na prática clínica tem ampliado seu uso em múltiplas especialidades, com potencial para aprimorar a precisão diagnóstica e a eficiência do cuidado. No entanto, especialistas e pesquisas recentes apontam para risco de perda de habilidades entre profissionais de saúde.
Uma revisão publicada em 2026 por Heudel e colaboradores analisou evidências sobre o impacto da automação e do suporte algorítmico na manutenção das competências médicas. Segundo o trabalho, enquanto novas capacidades relacionadas ao uso de IA vêm sendo adquiridas pelos profissionais, habilidades clínicas básicas podem deixar de ser exercitadas com a mesma frequência.
Resultados semelhantes aparecem em estudos sobre sistemas de suporte à decisão clínica e em experiências com cirurgia robótica. Nesses contextos, o aumento da automação tem gerado preocupação sobre o enfraquecimento de técnicas manuais e raciocínio clínico, o que amplia a demanda por estratégias de treinamento específicas para preservar tanto as aptidões técnicas quanto as cognitivas essenciais.
Especialistas consultados destacam que a IA amplia a capacidade analítica e de tomada de decisão, mas que o julgamento clínico humano continua a ser responsável por contextualizar casos, assumir decisões e responder eticamente pelo cuidado. Nesse sentido, a tecnologia é vista como complemento — e não substituta — da experiência clínica.
Dra. Gisele Vissoci Marquini, CRM 34170, RQE 19701, especialista em Ginecologia, Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, ressalta a importância de manter o olhar atento e a escuta qualificada na relação médico-paciente, funções que não podem ser substituídas por números, percentuais ou estatísticas. Para a médica, atualizar conhecimentos sobre ferramentas digitais é necessário, mas a formação futura deve integrar competências humanas e tecnológicas.
Os achados da revisão de Heudel et al. e as evidências em tecnologias cirúrgicas apontam para a necessidade de políticas e programas de educação continuada que conciliem o uso crescente da IA com a preservação das práticas clínicas fundamentais.
Com informações de Revistasoberana




