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domingo, outubro 25, 2026

Empresas que lucram bilhões com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã

Enquanto famílias e governos lidam com o aumento do custo de vida provocado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, um grupo de empresas tem registrado ganhos bilionários. A interrupção do tráfego no estreito de Ormuz no final de fevereiro — por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás globais — estimulou volatilidade nos preços de energia e impulsionou lucros em setores específicos.

Petróleo e gás

As grandes petroleiras europeias foram alguns dos principais beneficiários das oscilações de preços. A BP viu seus lucros mais que dobrarem no primeiro trimestre, alcançando US$ 3,2 bilhões (aproximadamente R$ 15,7 bilhões), resultado atribuído ao desempenho “excepcional” de sua divisão de trading. A Shell registrou lucro de US$ 6,92 bilhões (cerca de R$ 33,9 bilhões) no mesmo período, acima do esperado pelos analistas. A TotalEnergies teve alta de quase um terço nos lucros, chegando a US$ 5,4 bilhões (em torno de R$ 26,4 bilhões) no primeiro trimestre de 2026, devido à volatilidade nos mercados de petróleo e energia.

Já as norte-americanas ExxonMobil e Chevron reportaram queda nos ganhos em relação ao mesmo período do ano anterior, em grande parte pela interrupção no fornecimento do Oriente Médio. Ainda assim, ambas superaram as previsões dos analistas e mantêm expectativa de crescimento dos lucros ao longo de 2026, com os preços do petróleo em patamares bem superiores aos verificados antes da escalada do conflito.

Grandes bancos

Os bancos também lucraram com o aumento das negociações (trading) provocado pela incerteza nos mercados. O JP Morgan registrou receita recorde de trading de US$ 11,6 bilhões (cerca de R$ 56,8 bilhões), contribuindo para o segundo maior lucro trimestral da história do banco. No conjunto dos chamados “Seis Grandes” de Wall Street — JP Morgan, Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo — os lucros somaram US$ 47,7 bilhões (aproximadamente R$ 233,4 bilhões) no primeiro trimestre de 2026.

“Os altos volumes de trading beneficiaram os bancos de investimentos, particularmente o Morgan Stanley e o Goldman Sachs”, afirma Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club. Ela acrescenta que “a volatilidade desencadeada pela guerra gerou um pico de trading, pois alguns investidores venderam ações com medo da escalada do conflito, enquanto outros compraram em baixa, ajudando a alimentar a corrida pela recuperação”.

Defesa

O setor de defesa é outro que teve impacto direto com a escalada do conflito. Segundo Emily Sawicz, analista sênior da consultoria RMS UK, “o conflito reforçou as lacunas da capacidade de defesa aérea, acelerando investimentos em defesas contra mísseis, sistemas de combate a drones e equipamento militar em toda a Europa e nos Estados Unidos”.

A BAE Systems informou, em atualização comercial em 7 de maio, que espera forte crescimento de vendas e lucros em 2026, citando o aumento das “ameaças de segurança” que eleva os gastos governamentais com defesa. Lockheed Martin, Boeing e Northrop Grumman registraram atrasos recordes nos pedidos ao final do primeiro trimestre de 2026, embora as ações do setor tenham recuado desde meados de março diante de preocupações sobre possível sobrevalorização.

Energia renovável

A crise também reforçou o interesse por fontes renováveis, na avaliação de Streeter, por reduzir a dependência de combustíveis fósseis. A NextEra Energy, dos EUA, teve valorização de 17% no ano até agora. As dinamarquesas Vestas e Orsted reportaram aumento nos lucros, e empresas como a britânica Octopus Energy disseram à BBC que a guerra deu “enorme impulso” às vendas de painéis solares e bombas de calor — com aumento de 50% nas vendas de painéis solares desde o final de fevereiro.

O alto preço da gasolina também elevou a demanda por veículos elétricos, beneficiando especialmente fabricantes chineses que vêm aproveitando a oportunidade.

O conflito no Oriente Médio segue alterando a dinâmica de preços e investimentos, com setores distintos colhendo resultados opostos diante da mesma conjuntura.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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