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O anúncio de uma ampla investigação do governo dos Estados Unidos sobre práticas anticompetitivas na indústria de carne coincidiu com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington na quinta-feira (7), quando se encontrou com Donald Trump na Casa Branca. A apuração, informada por autoridades americanas dias antes do encontro, mira as chamadas “Quatro Grandes” (Big Four) do setor, responsáveis por cerca de 85% do processamento de carne no país.
Entre as quatro empresas investigadas estão duas com controle brasileiro: JBS Foods USA, filial da JBS — a maior processadora de carne do mundo — e a National Food, controlada pela MBRF, formada pela fusão entre BRF e Marfrig. As outras duas são Cargill e Tyson Foods, de capital estadunidense.
A investigação foi detalhada após uma postagem do presidente Trump em novembro de 2025 que antecipou a apuração, e teve participação do secretário de Justiça dos EUA, Todd Blanche, no anúncio público. Autoridades americanas afirmaram suspeitar de práticas anticompetitivas no setor.
O conselheiro de Comércio e Manufatura do governo norte-americano, Peter Navarro, chamou atenção para a presença significativa de empresas brasileiras entre as maiores do mercado interno dos EUA e vinculou a questão a preocupações com influência externa nas cadeias de abastecimento. Navarro também relacionou episódios anteriores de imposição de tarifas pelo governo americano ao Brasil e citou, em suas declarações, o papel do lobby da carne nas discussões sobre destino das exportações.
Fontes jornalísticas atribuíram ao empresário Joesley Batista, do Conselho de Administração da J&F, participação na articulação do encontro entre Lula e Trump, segundo a agência Reuters. Reportagens indicaram que Batista esteve em Washington na mesma data da reunião entre os presidentes. A subsidiária da JBS, Pilgrim’s Pride, aparece entre as maiores doadoras da campanha de Trump em 2024, com doação de US$ 5 milhões (R$ 24,6 milhões).
Especialistas citadas pela reportagem avaliaram que a investigação insere temas antitruste, segurança alimentar e nacionalismo econômico na agenda bilateral. Priscila Caneparo, docente da Unicuritiba, afirmou que as apurações tendem a polarizar a relação entre Brasil e EUA em torno de acusações de concentração de mercado e inflação alimentar. Natali Hoff, professora da PUCPR, observou que a medida pode ter motivações políticas internas, vinculadas ao combate à alta do preço da carne e à agenda doméstica do governo Trump antes das eleições legislativas de 2026.
O governo americano também anunciou mecanismos de recompensa financeira para quem fornecer informações sobre condutas ilícitas na indústria da carne. Em nota, a MBRF declarou agir em conformidade com as leis de defesa da concorrência e informou que as operações da National Beef nos Estados Unidos envolvem uma sociedade de longa data com cerca de 700 produtores locais, que detêm aproximadamente 18% do capital da empresa.
A BBC News Brasil procurou a JBS e a J&F para comentar a investigação, sem obter resposta até o fechamento da matéria. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil e os departamentos de Agricultura e Justiça dos EUA também foram consultados e não haviam retornado às solicitações no momento da publicação.
Com informações de G1




