Quem: autoridades e especialistas em saúde mental infantil, prevenção de uso de substâncias e administração escolar do Canadá, em parceria com estudantes.
O que: um novo padrão nacional, baseado em evidências, que define diretrizes para prevenção, educação e intervenção sobre o uso de substâncias nas escolas, da educação infantil ao ensino médio. O documento não propõe um único programa, mas uma estrutura compartilhada com princípios, práticas e modelos com maior potencial de impacto.
Quando: o padrão será lançado oficialmente em breve.
Onde: em todo o Canadá, para complementar ações já adotadas por províncias, territórios e distritos escolares.
Por que: o uso de substâncias entre estudantes aumentou a preocupação das escolas. Pesquisa nacional mais recente indica que 15% dos alunos do 7º ao 12º ano relataram uso de cigarro eletrônico no último mês e 18% disseram consumir múltiplas substâncias ao mesmo tempo. Muitos alunos do 7º ano não conseguem identificar os riscos à saúde de substâncias de fácil acesso. A popularização do vape, a legalização da cannabis e a maior toxicidade do mercado de drogas também motivaram a iniciativa.
Como: o padrão organiza práticas por estágios de desenvolvimento e níveis de apoio, reconhecendo que intervenções eficazes variam conforme a idade. Para crianças pequenas, recomenda o fortalecimento de habilidades socioemocionais; para adolescentes mais jovens, estratégias que alcancem normas sociais; e para os mais velhos, ações focadas em influência social e transições de vida. O documento amplia a definição de sucesso além da abstinência, incluindo bem-estar, vínculo com a escola e busca por ajuda.
Diagnóstico e obstáculos
Uma pesquisa nacional com mais de 200 administradores escolares do ensino básico mostrou lacunas na capacidade de resposta: quase 90% relataram desafios frequentes relacionados ao uso de substâncias, com o vape como principal preocupação. Quase dois terços disseram estar dispostos a mudar a abordagem, mas poucos acreditam ter evidências, recursos ou apoio suficientes para implementar mudanças eficazes.
Sem alternativas claras, muitas escolas recorrem a políticas de tolerância zero que podem resultar em suspensão ou expulsão — medidas que, segundo os autores, rompem vínculos protetores e não resolvem o problema. Pesquisas de longo prazo associam práticas disciplinares excludentes e maior presença policial nas escolas a taxas mais altas de uso de substâncias ao longo do tempo. Em resposta, o padrão prioriza abordagens restaurativas e planos de apoio voltados à saúde, segurança e permanência do estudante na escola.
Desenvolvimento e implementação
O padrão foi elaborado por uma parceria entre o Wellstream: The Canadian Centre for Innovation in Child and Youth Mental Health and Substance Use, da University of British Columbia, o Canadian Centre on Substance Use and Addiction e a Canadian Association of School System Administrators, com participação de organizações como a Physical and Health Education Canada e a Students Commission of Canada. Educadores, pesquisadores, profissionais de saúde, representantes indígenas e jovens integraram o processo; estudantes participaram do comitê técnico e tiveram suas vozes consideradas princípio orientador.
Para apoiar a adoção, o padrão será acompanhado de uma ferramenta de autoavaliação para que escolas identifiquem práticas alinhadas às evidências e áreas a melhorar, além de materiais de formação, conteúdos informativos para redes de ensino, famílias e estudantes, e uma rede de especialistas. Os autores destacam, porém, que mudanças significativas exigirão investimentos sistêmicos, incluindo tempo para formação profissional, criação de cargos específicos e parcerias mais fortes entre os sistemas de educação e saúde.
Os proponentes afirmam que, sem apoio em nível sistêmico, mesmo as melhores orientações correm o risco de permanecer inativas nas escolas.
Com informações de G1




