O Sol não se põe em Utqiagvik, no extremo norte do Alasca, por 84 dias consecutivos. O fenômeno, conhecido como “Sol da meia-noite”, teve início em 10 de maio e se estenderá até 2 de agosto. Na pequena cidade, com quase 5 mil moradores, quem quiser dormir no escuro precisará fechar bem as cortinas mesmo que vá para a cama de madrugada.
O evento ocorre em áreas acima do Círculo Polar Ártico e varia em duração conforme a latitude: locais mais próximos ao Polo Norte tendem a ter períodos mais longos de claridade contínua, enquanto outras regiões árticas experimentam intervalos mais curtos.
Por que o Sol não se põe?
Dois fatores explicam a continuidade da luz solar nessa época do ano. O primeiro é a inclinação do eixo de rotação da Terra, que é de cerca de 23,5 graus. Durante o verão do Hemisfério Norte, o Polo Norte fica voltado em direção ao Sol e, à medida que o planeta gira, as áreas acima do Círculo Polar Ártico permanecem iluminadas 24 horas por dia.
O segundo motivo é o formato esférico da Terra. Em Utqiagvik, o Sol descreve um movimento quase circular e horizontal no céu, o que mantém a cidade sob luz constante. Se a Terra fosse plana, a luminosidade teria de cessar quando o Sol estivesse do outro lado do suposto disco, e as estações do ano não se alternariam entre hemisférios, como observamos.
O astrônomo João Batista Garcia Canalle, coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG), ressalta que, se o eixo de rotação fosse perpendicular ao plano da órbita terrestre, não existiríamos as estações do ano e o Sol permaneceria no horizonte dos polos o ano inteiro.
Por que faz frio mesmo com sol?
Apesar da claridade prolongada, Utqiagvik e regiões polares continuam frias porque os raios solares chegam com ângulo muito raso. Próximo ao Equador a radiação incide de forma quase perpendicular, concentrando calor; nos polos, a luz atinge a superfície “deitada”, espalhando a energia em área maior e aquecendo menos. Assim, mesmo com sol contínuo, as temperaturas raramente ultrapassam 0°C.
A oposição desse fenômeno ocorre no inverno: a partir de novembro, quando o Hemisfério Norte se inclinar para longe do Sol, Utqiagvik deve enfrentar a noite polar, com cerca de 65 dias de escuridão total e temperaturas que podem cair entre -25°C e -30°C.
Com informações de G1




