O Governo Federal lançou nesta terça-feira (12) o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, que recebe R$ 1,06 bilhão de aporte direto ainda em 2026 e prevê uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões. A iniciativa reúne ações operacionais, tecnológicas e de inteligência com o objetivo de reduzir o poder econômico e logístico das facções criminosas no país.
O que prevê o programa
Segundo o Palácio do Planalto, a estratégia nacional articula medidas que vão desde operações mensais integradas até mudanças no sistema prisional e no modelo de investigação criminal. O plano busca atacar simultaneamente quatro pilares que sustentam o crime organizado: fonte de recursos, comando dentro dos presídios, impunidade em crimes violentos e acesso a armas.
Integração entre União, estados e municípios
Um dos eixos centrais é a coordenação entre União, estados e municípios, com a intenção de combinar esforços para atingir tanto a liderança quanto a base financeira das facções, sem suprimir competências locais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que o êxito da iniciativa depende da cooperação entre as instâncias de governo. Estão previstas operações coordenadas mensalmente e a criação de comitês estaduais de investigação financeira e recuperação de ativos até setembro.
Finanças das organizações criminosas
O primeiro eixo destina R$ 388,9 milhões para sufocar a capacidade financeira das quadrilhas. Entre as ações previstas estão o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, a formação de uma estrutura nacional para operações interestaduais de alta complexidade, adoção de ferramentas avançadas de análise de dados e ampliação dos leilões de bens apreendidos para retirar recursos das facções.
Reforço no sistema prisional
O segundo eixo, com R$ 330,6 milhões previstos para 2026, tem como objetivo reduzir a comunicação e a articulação das facções dentro das prisões. A meta é elevar 138 unidades prisionais ao padrão de segurança máxima similar ao dos presídios federais. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, informou que 80% das lideranças identificadas estão cumprindo pena nessas 138 unidades. O plano inclui compra de scanners corporais, bloqueadores de celular, drones, criação do Centro Nacional de Inteligência Penal, operações para retirada de itens ilícitos e capacitação de agentes.
Investigação de homicídios e combate a armas
O terceiro eixo destina cerca de R$ 201 milhões para aprimorar investigação e resolução de crimes letais, reforçando perícias e polícias científicas, modernizando institutos médico-legais e integrando bancos de dados genéticos e balísticos, com aquisição de comparadores balísticos e tecnologias de análise de DNA. O quarto eixo, com aproximadamente R$ 145 milhões, foca no enfrentamento ao tráfico de armas e explosivos, por meio de sistemas de rastreamento, criação de uma rede nacional de combate e fortalecimento de delegacias especializadas.
Linha de crédito e cronograma
Além dos investimentos diretos, estados e municípios poderão recorrer à linha de crédito de R$ 10 bilhões, originada do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social, para compra de viaturas, drones, sistemas de monitoramento, equipamentos de perícia e modernização de presídios. O programa estabelece agenda permanente de ações, com operações integradas mensais e comitês de investigação financeira em funcionamento até setembro.
O conjunto de medidas combina inteligência, tecnologia e integração institucional para reduzir a capacidade operacional das facções em todo o país.
Com informações de Paranaibamais




