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sábado, outubro 24, 2026

Por que construções como a Torre de Pisa se inclinam, mas não desabam

Várias construções famosas inclinam-se sem, contudo, ruir. A Torre de Pisa é o exemplo mais conhecido, mas há outros pontos turísticos, das casas dançantes em Amsterdã à Pagoda da Colina do Tigre, na China, que exibem inclinações por diferentes motivos.

Especialistas apontam que a origem do problema costuma estar no solo ou nas fundações. Mandy Korff, professora de prática geotécnica na Universidade de Tecnologia de Delft e no instituto Deltares, explica que, em cidades como Amsterdã, muitos edifícios foram erguidos sobre estacas de madeira cravadas em pares sob paredes e fachadas. Essas estacas chegam a 12 metros e foram fincadas em terrenos de argila macia, turfa ou areia. Enquanto permanecem intactas, mantêm as casas estáveis; se apodrecem ou se desgastam de forma desigual, surgem trincas e a estrutura pode inclinar-se ao longo do tempo.

O caso de Pisa

No caso da Torre de Pisa, a inclinação começou já durante a construção, devido à extrema maciez do solo, diz Nunziante Squeglia, professor de mecânica do solo e fundações na Universidade de Pisa, que participa do monitoramento da torre. Segundo ele, a construção afundou entre três e quatro metros.

Obras e intervenções humanas no entorno também contribuem para inclinações, como ocorreu com a torre da Oude Kerk, em Delft, que mudou de posição porque o solo de um lado foi escavado para dar lugar a um canal, deixando esse lado mais macio. Variações no nível da água subterrânea podem igualmente alterar as camadas do solo e provocar movimentos.

Korff observa ainda que algumas inclinações foram intencionais: muitas casas comerciais de Amsterdã foram projetadas com a frente levemente inclinada para facilitar a subida de mercadorias a partir dos canais. Quando a inclinação é lateral, entretanto, passa a indicar um problema.

Correções e limites

Nem toda casa inclinada é estruturalmente instável; é preciso um desvio considerável para que a segurança seja comprometida. Contudo, intervenções são necessárias em casos extremos. No fim do século 20, a inclinação da Torre de Pisa aumentou de forma preocupante e, depois do colapso, em 1989, de outra torre na cidade de Pavia, a de Pisa foi fechada em 1990. Para reduzir o risco sem mover a torre, engenheiros usaram a técnica de extração de solo: retiraram 37 metros cúbicos de terra do lado norte da fundação. O trabalho durou 11 anos e a torre foi reaberta em 2001, com redução da inclinação em mais de 40 centímetros.

Korff ressalta que o método adotado em Pisa é excepcional e que outras soluções, como substituir fundações de estacas de madeira ou elevar uma casa, são invasivas, caras e podem até agravar danos se não forem bem executadas. Além disso, há limitações físicas: estruturas que se adaptaram à inclinação podem sofrer ao serem totalmente endireitadas.

Pesquisas indicam que cerca de 75 mil casas na Holanda assentadas sobre estacas de madeira correm risco de danos, e quase três vezes mais residências estão vulneráveis devido a fundações rasas. Mudanças climáticas podem acelerar problemas, já que a queda do lençol freático expõe estacas de madeira ao ar, promovendo deterioração mais rápida, e altera as camadas do solo, afetando diferentes tipos de fundação. Ainda assim, esses processos costumam ocorrer ao longo de um período prolongado.

A intervenção em Pisa e as medidas de monitoramento tornaram os especialistas otimistas: após a correção concluída em 2001, engenheiros estimaram que a torre deve permanecer segura por pelo menos 200 anos.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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