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terça-feira, outubro 27, 2026

Banco do Brasil reduz projeção de lucro para 2026 após queda de mais de 50% no 1º trimestre

Banco do Brasil corta estimativa de lucro para 2026 após forte recuo no resultado do primeiro trimestre

O Banco do Brasil anunciou nesta terça-feira (13) que revisou para baixo sua previsão de lucro para 2026, passando a estimar um resultado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. A revisão ocorre depois de a instituição ter apontado queda superior a 50% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre em comparação com os mesmos três meses de 2025.

Entre janeiro e março, o banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, retração de 53,5% na comparação anual. Na visão do mercado, as estimativas compiladas pela LSEG apontavam para R$ 3,495 bilhões. Em relação ao quarto trimestre de 2025, o resultado foi 40,2% menor.

Em paralelo, o BB aumentou a projeção para o custo de crédito em 2026, que agora é estimado entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões. No primeiro trimestre, o custo de crédito foi de quase R$ 18,9 bilhões, alta de 85,8% ante o mesmo período do ano anterior e de 5% frente ao trimestre anterior.

A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, afirmou que o desempenho reflete um cenário de maior dificuldade para o crédito, com maior pressão concentrada na carteira do agronegócio. Como principal financiador do setor, o banco vinha registrando impacto desses efeitos desde o ano passado.

Ao fim de março, a carteira de crédito expandida do Banco do Brasil somava R$ 1,3 trilhão, crescimento de 2,2% em 12 meses e de 0,7% em relação a dezembro. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,05%, ante 3,63% um ano antes e 5,17% em dezembro de 2025.

A carteira rural totalizou R$ 418,4 bilhões, alta de 3% tanto na comparação anual quanto no trimestre, e apresentou inadimplência acima de 90 dias de 6,22%, ante 2,76% um ano antes e 6,09% nos últimos três meses de 2025. A linha de custeio teve índice ainda mais elevado, de 10,56%.

Para enfrentar o agravamento da inadimplência no agronegócio, o banco ampliou o uso de garantias por alienação fiduciária e ajustou as esteiras de cobrança. Medeiros disse também que, nos primeiros meses de 2026, o BB já havia dobrado o número de judicializações realizadas em comparação com todo o ano anterior, como parte da estratégia de recuperação de ativos.

Na pessoa física, a carteira de crédito expandida cresceu 1,4% no trimestre e 7,7% em 12 meses, alcançando R$ 361,8 bilhões, impulsionada especialmente pelo crédito consignado e pelo crescimento das operações do programa “Crédito ao Trabalhador”. A inadimplência acima de 90 dias na pessoa física ficou em 6,82%, contra 5,10% um ano antes e 6,56% em dezembro de 2025.

O portfólio de pessoa jurídica somou R$ 449 bilhões, com quedas de 2,4% no ano e de 1,3% no trimestre, afetado pela retração de 10% na carteira de micro, pequenas e médias empresas em 12 meses e de 3,3% frente ao fim do ano passado. A carteira de grandes empresas recuou 1,9% na base anual e 1,5% no trimestre. A inadimplência acima de 90 dias do segmento jurídico encerrou março em 2,87%.

A margem financeira bruta do BB atingiu R$ 27,4 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 14,8% em 12 meses, com avanço das receitas financeiras de 12,3%. Na comparação trimestral, a margem caiu 1,3%, efeito que o banco atribui à sazonalidade, à redução das despesas de captação por menores volumes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e ao calendário (três dias úteis a menos).

Para 2026, o banco elevou a expectativa de crescimento da margem bruta para um intervalo de 7% a 11%, ante previsão anterior de 4% a 8%. Medeiros ressaltou que a evolução vem do aumento do crédito, sobretudo em linhas com melhor risco-retorno, concentradas em consignado e consignado privado, e afirmou que as despesas permanecem sob controle sem comprometer investimentos em tecnologia e pessoas.

As receitas de prestação de serviços cresceram 5,5% em 12 meses, atingindo R$ 8,8 bilhões e ficando estáveis na comparação trimestral (-0,2%). As despesas administrativas somaram R$ 10 bilhões, avanço de 5,5% no ano e 1,3% no trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 7,3%, ante 16,7% um ano antes e 12,4% no quarto trimestre de 2025, ligeiramente acima da previsão compilada pela LSEG (6,98%).

O índice de Basileia ficou em 14,23%, com o índice de capital principal em 11,59%. O índice de eficiência registrou 28%, superior aos 26,5% de um ano antes. Ao final de março, o total de ativos alcançava R$ 2,6 trilhões e o banco operava 3.942 agências, ante 3.955 em dezembro e 3.997 no mesmo período de 2025.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Banco do Brasil aprovou a distribuição de R$ 465,7 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP) relativos ao primeiro trimestre de 2026. O pagamento será feito em 11 de junho, com base na posição acionária de 1º de junho.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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