Uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Araçuaí reuniu moradores, representantes da Sigma Lithium, do Ministério Público, da Justiça, lideranças comunitárias e movimentos sociais para debater os efeitos das operações de lítio no Vale do Jequitinhonha e as perspectivas de desenvolvimento regional.
O encontro teve como objetivo ouvir moradores das comunidades próximas à mina Grota do Cirilo e avaliar questões relacionadas a impactos sociais, ambientais e à sustentabilidade dos investimentos no território. A promotora de Justiça de Araçuaí, Úrsula Oliveira, afirmou que o Ministério Público atua para assegurar o cumprimento da legislação e articular o diálogo entre as partes envolvidas.
Segundo a promotora, escutar a empresa e os moradores faz parte do processo de conciliação em prol de um desenvolvimento que respeite normas e direitos. A audiência foi convocada pela juíza Patrícia Bergamaschi de Araújo no âmbito da ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Posicionamento da empresa
Representando a Sigma Lithium, o vice-presidente jurídico Bruno de Albuquerque apresentou relatórios técnicos e indicadores operacionais para responder às dúvidas das comunidades. O executivo ressaltou que a operação cumpre as exigências legais e descreveu a atividade como “limpa e regular”.
Bruno de Albuquerque destacou números e indicadores sociais da companhia: afirmou que a empresa registra mais de 1.000 dias sem incidentes e que a operação gera cerca de 18 mil empregos diretos e indiretos na região. Também citou iniciativas sociais desenvolvidas pela Sigma para contribuir com a transformação local.
A vice-presidente de Relações Institucionais da Sigma, Lígia Pinto, reforçou o compromisso da empresa com a segurança operacional e com a saúde de trabalhadores e moradores. Ela informou que relatórios técnicos e dados médicos não apontaram adoecimento relacionado às atividades da companhia e sugeriu que hospitais locais possam ser consultados para atestar esse quadro.
Vozes da comunidade e da Igreja
Moradores das bases próximas à operação relataram mudanças na economia local e em infraestrutura desde a chegada da mineradora. Cláudia Renata Florentin, da comunidade Piauí Poço Dantas, afirmou que a atuação da Sigma permitiu que residentes permanecessem na região, citando casos de parentes que conseguiram emprego e retornaram de outras localidades.
Moradora de Taquaral Seco, Maria Rita disse morar a cerca de 600 metros da operação e relatou não perceber poeira ou danos às residências. Ela também elogiou a melhora das estradas e da infraestrutura local.
O bispo de Araçuaí, Dom Geraldo Maia, declarou que a Igreja Católica não é contrária à mineração, mas defende que a extração e o uso de matéria-prima ocorram de forma responsável, com atenção aos aspectos socioambientais.
Ampliação do debate
O historiador Higino Pedro chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate público sem cair em polarizações, defendendo a escuta de diferentes atores e a construção de um diálogo informado sobre o futuro do Vale do Jequitinhonha.
A audiência evidenciou as disputas em curso sobre desenvolvimento regional, proteção ambiental, geração de empregos e o papel do Brasil na cadeia de minerais críticos para a transição energética.
Com informações de Gazetadotriangulo




