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terça-feira, outubro 27, 2026

Inflação na Argentina desacelera para 2,6% em abril; acumulado em 12 meses fica em 32,4%

A inflação na Argentina registrou alta de 2,6% em abril, informou nesta quinta-feira (14) o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O índice representa desaceleração frente aos 3,4% verificados em março. No acumulado dos últimos 12 meses até abril, o IPC ficou em 32,4%, abaixo dos 32,6% anotados no mês anterior.

Setores que mais subiram em abril

Em abril, os maiores aumentos mensais foram observados em transporte (4,4%) e educação (4,2%). Em seguida aparecem comunicação (4,1%), habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (3,5%), vestuário e calçados (3,2%) e equipamentos e manutenção do lar (2,9%).

Contexto recente e trajetória dos preços

A série histórica do Indec mostra melhora no ritmo mensal de inflação ao longo de 2024, primeiro ano da gestão do presidente Javier Milei. Em 2025, a taxa mensal manteve-se majoritariamente entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%. A partir de maio de 2025, porém, os números apontaram uma aceleração gradual da inflação, evidenciando dificuldades do governo para sustentar uma queda consistente do indicador.

Medidas do governo e efeitos econômicos

Desde a posse, em dezembro de 2023, o governo de Milei conduziu um ajuste econômico que incluiu a paralisação de obras federais, a suspensão de repasses aos estados e a retirada de subsídios de tarifas como água, gás, luz e transporte público — ações que pressionaram os preços ao consumidor. A pobreza aumentou no primeiro semestre de 2024, alcançando 52,9% da população, enquanto no segundo semestre de 2025 o índice caiu para 28,2%, o menor em sete anos.

O governo registrou sequência de superávits fiscais e recuperou parte da confiança de investidores. No entanto, em 2025 o país enfrentou forte instabilidade: no terceiro trimestre houve um escândalo envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente, cuja acusação de corrupção, presente em um áudio gravado por um ex-aliado, é alvo de investigação judicial. Em setembro, Milei sofreu derrota nas eleições da província de Buenos Aires, resultado que afetou os mercados — títulos públicos, ações e o peso caíram no dia seguinte.

Ao longo de 2025, o peso perdeu quase 40% contra o dólar, chegando a 1.451,50, após atingir 1.423 por dólar em um momento de maior pressão sobre a moeda, situação considerada prejudicial para a inflação. A desaprovação do presidente nas pesquisas também cresceu: 64,5% de desaprovação, conforme a consultoria Zuban Córdoba.

Apoio externo, acordo com o FMI e intervenções cambiais

O pessimismo dos investidores levou o Banco Central a retomar intervenções no câmbio. A volatilidade começou a ceder após o governo dos Estados Unidos anunciar apoio: em 20 de outubro foi formalizado um swap cambial de US$ 20 bilhões, com promessa de outro aporte de igual valor, elevando o apoio a US$ 40 bilhões. Após a confirmação do apoio financeiro, Milei obteve, em 26 de outubro, uma vitória nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado, medida que ajudou a conter a disparada do dólar.

No início do governo, a melhora em indicadores permitiu que Milei fechasse, em 11 de abril, um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI); a primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi liberada poucos dias depois. O montante soma-se a dívidas anteriores do país com o fundo, que já superavam os US$ 40 bilhões. Após o acordo com o FMI, o Banco Central reduziu controles cambiais, encerrando a paridade fixa do peso e adotando câmbio flutuante, mas a recente deterioração dos mercados levou à reintervenção cambial.

Outras medidas adotadas

Ao longo do último ano, o governo e o Banco Central implementaram medidas monetárias, fiscais e cambiais para aumentar a liquidez em dólares e cumprir o acordo com o FMI. Em maio de 2025 foi autorizada a utilização de dólares mantidos fora do sistema financeiro sem obrigatoriedade de declarar a origem. Em 10 de junho foram anunciadas flexibilizações no uso de pesos e dólares no mercado de títulos públicos e um plano para captar US$ 2 bilhões por meio de emissões. O governo também se comprometeu a reduzir a emissão de moeda pelo Banco Central.

Na semana que antecedeu as eleições de Buenos Aires, e em meio à forte desvalorização do peso, o Executivo anunciou intervenção direta no mercado de câmbio. Em 2 de setembro, o secretário de Finanças Pablo Quirno informou que o Tesouro Nacional atuaria diretamente na compra e venda de dólares para garantir oferta suficiente e evitar desvalorizações abruptas. O objetivo declarado pelo governo é estabilizar a inflação, reforçar reservas comerciais, melhorar o câmbio e atrair investimentos enquanto promove o ajuste econômico.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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