A Samsung Electronics e o sindicato dos trabalhadores na Coreia do Sul retomam conversas na terça-feira (19) na tentativa de impedir uma paralisação que poderia ser a maior já registrada pela companhia. A ameaça é de uma greve de 18 dias, com início previsto para quinta-feira (21), e há preocupação sobre impactos na economia sul-coreana e nas cadeias globais de suprimentos.
As negociações ocorreram novamente após a primeira rodada mediada pelo governo, realizada na semana passada, não ter chegado a um acordo sobre salários e bônus. O impasse ganha destaque devido à atual escassez mundial de chips de memória, setor em que a Samsung é líder e responde por quase 25% das exportações da Coreia do Sul.
Um representante do sindicato afirmou que as discussões serão retomadas na terça e destacou o compromisso com negociações de boa-fé. Park Su-keun, presidente da Comissão Nacional de Relações Trabalhistas, também confirmou a continuação das conversas, observando que as partes permaneciam distantes de um entendimento após as reuniões desta segunda-feira.
O conflito envolve reivindicações salariais e de participação nos lucros. O sindicato exige a retirada do teto de bônus equivalente a 50% do salário anual e propõe que 15% do lucro operacional anual seja destinado a um programa de participação nos resultados para os funcionários. A Samsung ofereceu alocar entre 9% e 10% do lucro operacional para bônus, percentual que o sindicato aponta que deverá incidir sobre um resultado que pode superar 200 trilhões de wons neste ano, segundo estimativa apresentada pelos trabalhadores. A empresa, contudo, mantém a posição de preservar o limite de 50% para pagamento adicional.
Para pressionar a categoria, um tribunal sul-coreano atendeu parcialmente a pedido da Samsung e concedeu uma liminar relacionada a ações consideradas ilegais durante a greve. Com a medida, milhares de empregados poderão ser obrigados a trabalhar em caso de paralisação para evitar danos a materiais e instalações de produção. Cerca de 47 mil trabalhadores declararam intenção de aderir ao movimento.
A Justiça determinou que os dois principais sindicatos podem ser multados em 100 milhões de wons (US$ 72 mil) por dia se descumprirem a decisão, e que líderes sindicais podem sofrer multas diárias de 10 milhões de wons. Em nota, o sindicato afirmou que a liminar não impede a realização da greve caso as negociações terminem sem acordo. A Samsung Electronics preferiu não comentar o assunto.
Autoridades sul-coreanas têm manifestado preocupação com os riscos que a paralisação representaria para o crescimento econômico, as exportações e os mercados financeiros. O presidente Lee Jae Myung, considerado alinhado com os sindicatos, escreveu na rede social X que os direitos da administração das empresas devem ser respeitados na mesma medida que os direitos dos trabalhadores.
Com informações de G1




