Casal relata perda do sonho da casa própria após obra ser abandonada
Guilherme e Bruna, moradores do Rio Grande do Sul, afirmam ter caído em um esquema durante um financiamento habitacional contratado em 2022 com a Caixa Econômica Federal. Segundo o casal, a construtora indicada para executar a obra tinha relação com um empregado da agência onde o contrato foi assinado, o que teria reforçado a confiança deles ao longo do processo.
O financiamento foi de R$ 290 mil. A construtora foi apresentada ao casal por Pedro André Marchesi Cecegolo, apontado pelas vítimas como proprietário da empresa responsável pela construção. De acordo com o relato de Guilherme, Pedro André trabalhava na agência da Caixa em Alvorada (RS) e se apresentava como alguém capaz de “facilitar” os trâmites do financiamento. No dia da assinatura, embora não tenha participado diretamente do atendimento, ele estava presente na agência e cumprimentou o casal após a aprovação do crédito.
Conforme o casal, funcionários da agência chegavam a utilizar canecas com a marca da construtora nas mesas, o que teria contribuído para a percepção de legitimidade da empresa. A obra teve início e a liberação de parcelas do financiamento pela Caixa foi feita a partir de relatórios de progresso apresentados ao banco.
No entanto, Guilherme e Bruna afirmam que os documentos enviados à Caixa informavam etapas concluídas que não existiam no imóvel. Planilhas indicavam que itens como cobertura e instalações elétricas e hidráulicas estavam praticamente finalizados, mas visitas ao local mostraram apenas parte da estrutura erguida. O casal calcula que a construtora recebeu mais de R$ 200 mil do financiamento antes de interromper o serviço.
As suspeitas aumentaram quando a construtora passou a solicitar valores adicionais, alegando insuficiência dos recursos do financiamento para concluir a obra. Ao verificar a documentação encaminhada ao banco, Guilherme encontrou inconsistências entre os relatórios e a situação real da construção. Além da dívida com a Caixa, o casal diz ter perdido cerca de R$ 62 mil pagos diretamente à construtora como entrada.
Bruna relatou impactos emocionais e disse ter procurado atendimento psicológico em razão do episódio. O caso foi levado à ouvidoria da Caixa. Pedro André Marchesi Cecegolo foi demitido por justa causa do banco; ele nega irregularidades e afirma não ter causado prejuízo financeiro à instituição.
Em nota, a Caixa informou que condutas de empregados em desacordo com o código interno são investigadas e podem resultar em punições. O banco também ressaltou que, nesse tipo de financiamento, cabe ao cliente administrar o planejamento financeiro da obra e contratar a construtora responsável.
Com informações de G1




