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quinta-feira, outubro 29, 2026

Governo anuncia bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no orçamento de 2026 após revisar gastos com BPC e previdência

Bloqueio adicional e revisão de despesas

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento informaram nesta sexta-feira (22) um bloqueio extra de R$ 22,1 bilhões no orçamento federal de 2026. Esse montante soma-se a uma retenção anterior de R$ 1,6 bilhão anunciada em março, elevando o total de limitações neste exercício para R$ 23,7 bilhões.

Segundo o governo, a necessidade de retenção decorre da elevação das projeções de gastos obrigatórios, em especial uma previsão de aumento de R$ 14,1 bilhões no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de R$ 11,5 bilhões nos benefícios previdenciários.

O BPC é um benefício de assistência social pago pelo INSS a pessoas com deficiência de qualquer idade e a idosos a partir dos 65 anos, desde que a renda familiar per capita seja de até 25% do salário mínimo. Como essas despesas são obrigatórias e não podem ser contingenciadas, a restrição será aplicada aos gastos discricionários dos ministérios.

Os recursos afetados pelo bloqueio abrangem verbas não obrigatórias, como despesas administrativas, investimentos, repasses a universidades federais, agências reguladoras, ações de defesa agropecuária, bolsas do CNPq e da Capes, emissão de passaportes e fiscalizações ambientais e do trabalho escravo, entre outros. As pastas que sofrerão os cortes serão detalhadas em decreto de programação orçamentária e financeira a ser publicado até o fim do mês.

Em paralelo, o governo elevou levemente a previsão para o déficit primário de 2026, que passou de R$ 59,8 bilhões — estimativa vigente quando o orçamento foi aprovado — para R$ 60,3 bilhões. O ministério aponta que, com o abatimento de precatórios permitido pela legislação, esse déficit fica próximo do limite estabelecido pelo arcabouço fiscal.

O ministério do Planejamento e Orçamento afirmou ainda que vem ajustando as projeções do BPC e dos benefícios previdenciários para compatibilizar a dotação orçamentária com as novas estimativas. O ministro Bruno Moretti destacou que o acréscimo de R$ 11,5 bilhões nos benefícios previdenciários é pequeno em relação ao total dessas despesas — da ordem de R$ 1 trilhão em termos arredondados —, mas que tem impacto relevante nas contas públicas.

O bloqueio se enquadra nas regras do arcabouço fiscal aprovado em 2023, que limita o crescimento real dos gastos em 2,5% ao ano e impõe restrições adicionais à expansão das despesas. A meta fiscal definida na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026 exige um resultado primário positivo equivalente a 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual.

O texto legal permite também excluir do cálculo R$ 63,4 bilhões em despesas, valor que pode ser utilizado para o pagamento de precatórios. Considerando esses mecanismos, o déficit estimado de R$ 60,3 bilhões está muito próximo do limite permitido pelo arcabouço fiscal após o abatimento de precatórios.

Desde o início de 2026, analistas vinham apontando espaço restrito para investimentos federais em um ano eleitoral, cenário que motiva cautela na programação dos gastos discricionários.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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