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quinta-feira, outubro 29, 2026

Portugal endureceu regras de imigração, mas depende de trabalhadores estrangeiros, especialmente brasileiros

Portugal tem adotado normas migratórias mais rígidas e registrado crescimento do apoio a medidas de controle, enquanto aumenta a preocupação entre brasileiros no país sobre um ambiente mais hostil após o fortalecimento do partido de extrema direita Chega nas últimas eleições. Cartazes com a frase “Os imigrantes não podem viver de subsídios” seguiram espalhados pelo país desde então.

Ao mesmo tempo, dados oficiais apontam que o país depende da população estrangeira para manter serviços e financiar o sistema de proteção social. Estima-se a presença de cerca de 1,5 milhão de estrangeiros em Portugal, equivalente a aproximadamente 14% da população.

Um estudo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), elaborado pelo Observatório das Migrações, mostra que, no ano passado, cerca de 1,1 milhão de estrangeiros contribuíram para a Segurança Social por estarem formalmente empregados — um aumento de 447% em relação a dez anos atrás. O montante dessas contribuições subiu 763%, chegando a quase 4,2 bilhões de euros, valor que corresponde a 14% do total arrecadado.

O sociólogo especializado em migração laboral Elísio Estanque afirma que as contribuições dos trabalhadores estrangeiros são essenciais para um país com uma das populações mais envelhecidas da União Europeia. Segundo ele, além de sustentar parte do sistema de previdência, esses trabalhadores ocupam funções que mantêm o funcionamento cotidiano da economia, sobretudo no comércio e serviços.

Os brasileiros formam o maior grupo de imigrantes e atuam em setores como atendimento ao público, motoristas de aplicativo e entregas, além de serviços em restaurantes e lojas. A brasileira Verônica Santos, que vive em Leiria há três meses, relata ter encontrado trabalho em um restaurante enquanto o marido trabalha como ajudante de obra. Ambos dizem ganhar bem e citam a segurança como um dos motivos da migração; ela afirma também que o preconceito existe em vários lugares.

Para o professor de Economia João Neves, da Escola Superior de Leiria, partidos de extrema direita têm usado imigrantes como bodes expiatórios para problemas de segurança, mas a retirada dessa força de trabalho teria impacto em setores inteiros. O turismo, responsável por cerca de 20% do Produto Interno Bruto, depende de mão de obra estrangeira; a agricultura voltada à exportação também recorre a trabalhadores sazonais, em grande parte da Ásia.

O saldo entre receitas e despesas relativo a estrangeiros foi positivo em 2025, atingindo 3,3 bilhões de euros, principalmente por conta de contribuintes jovens cujas parcelas ajudam a financiar aposentadorias e benefícios de uma população envelhecida.

Especialistas apontam falta de uma política migratória de longo prazo e criticam propostas que limitariam o tempo de permanência, o que poderia aumentar a vulnerabilidade dos trabalhadores. Também é destacado que, ao contrário do que ocorre em países como a Alemanha, trabalhadores que retornam aos seus países de origem não conseguem reaver as contribuições feitas para a aposentadoria — esses valores permanecem na Segurança Social portuguesa.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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