O lançamento da coleção Royal Pop, fruto da parceria entre a Swatch e a fabricante de luxo Audemars Piguet (AP), gerou aglomerações que levaram ao fechamento de lojas e a confrontos em diferentes países. As vendas começaram no sábado (16) em pontos selecionados ao redor do mundo e atraíram longas filas, em alguns casos com pessoas acampando por dias para garantir um dos oito modelos disponíveis.
A Swatch, conhecida por seus relógios coloridos da década de 1980, definiu a coleção como “uma colaboração disruptiva entre dois ícones da relojoaria suíça”. Cada exemplar tinha preço de varejo de US$ 448 (R$ 2,2 mil) e a venda foi limitada a uma unidade por pessoa nas lojas físicas.
O interesse intenso, alimentado por uma campanha online que durou meses, provocou cenas de desordem: no Reino Unido, centenas de pessoas formaram filas do lado de fora de lojas e a polícia foi acionada; houve pelo menos uma prisão e relatos de comportamento ameaçador. Autoridades em diferentes cidades relataram brigas em Amsterdã, Milão e localidades na Ásia e no Oriente Médio.
Segundo a agência Reuters, policiais precisaram disparar gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 300 pessoas em frente a uma loja da Swatch perto de Paris, e quatro pessoas denunciaram agressões na multidão em Lille, no norte da França. Em Nova York, consumidores chegaram a acampar por uma semana; houve relatos de mal-estar entre quem aguardava nas filas.
A empresa chegou a pedir publicamente que as pessoas “não corressem para nossas lojas em grande número” e fechou unidades por questões de segurança quando as multidões cresceram demais. A crítica nas redes incluiu reclamações de que a venda presencial desviou recursos policiais e que os relógios deveriam também ter sido disponibilizados online desde o início.
Especialistas entrevistados pela BBC atribuíram o frenesi à estratégia de marketing da Swatch e ao apelo das colaborações entre marcas, especialmente entre consumidores mais jovens que buscam exclusividade. A comentarista Britt Pearce descreveu o fenômeno como empolgante, mas passageiro, e afirmou ter observado perda de controle por parte de seguranças em uma loja de Londres. A consultora Catherine Shuttleworth destacou que o “hype” funcionou e que a iniciativa permitiu a consumidores pagar uma fração do preço usual de um relógio AP.
Além das confusões presenciais, as vendas online também enfrentaram problemas: houve tentativas de uso de bots para burlar o sistema e ofertas de revenda por valores muito superiores ao preço de varejo. Relatos citam exemplares sendo revendidos por várias vezes o valor original. Um comprador identificado como Jaylen disse ter adquirido um relógio por 335 libras (R$ 2,2 mil) e vendido por pouco mais de mil libras (R$ 6,7 mil), enquanto anúncios observados no eBay chegam a 3 mil–5 mil libras (R$ 20 mil–R$ 33 mil). A revista WatchPro alertou que algumas listagens de revenda podem ser falsas.
Havia avaliações mistas entre quem efetivamente comprou o Royal Pop: alguns enxergaram potencial de valorização futura e valor sentimental, enquanto outros consideraram que o produto não justificava o tempo de espera ou o tumulto nas lojas. O modelo, um relógio de bolso inspirado no Royal Oak de 1972, foi descrito por compradores e observadores como um item colecionável ou objeto de revenda.
Em nota, a Swatch afirmou que a resposta ao Royal Pop foi “fenomenal em todo o mundo” e que problemas ocorreram em apenas 20 das 220 lojas onde os relógios foram colocados à venda. A empresa comparou a situação ao lançamento do MoonSwatch, em 2022, quando também houve chamadas à polícia e fechamento de lojas, e informou que as vendas se normalizaram após o dia de lançamento, reforçando que a coleção estará disponível por vários meses.
Com informações de G1




