O Plano Safra 2025/2026 apresentou redução expressiva nos recursos destinados à sustentabilidade na agropecuária, levantando preocupações sobre o financiamento de investimentos no setor. Segundo levantamento da consultoria Agroicone, entre julho de 2025 e março de 2026 foram liberados R$ 46 bilhões para ações sustentáveis, montante 22,6% inferior ao registrado no período equivalente da safra anterior.
A retração corresponde a cerca de R$ 8,2 bilhões a menos em relação aos R$ 54,2 bilhões desembolsados no período anterior. Especialistas consultados no estudo associam a queda ao cenário econômico: juros elevados e maior endividamento dos produtores limitam a capacidade de adoção de tecnologias e práticas sustentáveis.
Desempenho do crédito sustentável
Os dados detalham que a diminuição foi mais marcada nas operações de investimento, que recuaram de R$ 79,02 bilhões para R$ 64,99 bilhões, uma redução de 17,7%. Esse comportamento indica maior cautela dos produtores diante do ambiente econômico adverso, resultando em menor disposição para modernizar propriedades.
Além disso, a redução dos recursos ligados à sustentabilidade foi mais intensa nas linhas de investimento (-18,4%) do que nas de custeio (-12,5%). A diferença entre os segmentos pode comprometer a adoção de medidas voltadas à resiliência produtiva e à transição climática no agronegócio brasileiro.
No recorte por atividade, a agricultura registrou queda de 16,2% nos recursos sustentáveis, enquanto a pecuária apresentou redução mais moderada, de 6,4%. Os estados que mais receberam crédito sustentável foram Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, reforçando a concentração regional desses aportes.
Impacto nas linhas de crédito
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) registrou aumento nas linhas sustentáveis, alcançando R$ 2,3 bilhões, o que sugere menor impacto do encarecimento do crédito entre agricultores familiares.
Adicionalmente, a implementação de novas regras ambientais — que exigirão comprovação de legalidade ambiental para acesso ao crédito rural — pode elevar o rigor das instituições financeiras, afetando a capacidade de investimento dos produtores e, consequentemente, a sustentabilidade do agronegócio.
Com informações de Uberlandianofoco




