Quatro em cada dez estudantes do Ensino Fundamental e Médio no Brasil faltam às aulas pelo menos uma vez por mês em razão de sintomas relacionados à menstruação, aponta pesquisa inédita do Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.Info. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (26), também aponta que 12% das professoras se ausentam mensalmente por causa dos mesmos sintomas.
O estudo ouviu 2.500 alunas e alunos e 303 docentes de redes públicas e privadas de todas as regiões do país. A cólica menstrual foi o sintoma mais relatado entre as alunas: 57,7% disseram sentir dor intensa. Outros sinais apontados na amostra incluem cansaço e dores no corpo (30%), dor de cabeça (28%), vergonha e medo de vazamento (19%) e falta de banheiro ou de produtos de higiene (8%).
Para Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford e responsável pela supervisão técnica da pesquisa, há relação entre a intensidade da dor e o absenteísmo. “As meninas tendem a faltar mais na escola do que os meninos e há uma relação entre a intensidade da dor e o absenteísmo. Se essas questões não estão endereçadas, o direito universal da educação não está sendo atendido para essas meninas”, afirmou Lichand.
Impactos educativos e necessidade de políticas
Especialistas consultados no estudo destacam que a dor menstrual deve ser tratada como um problema de saúde pública com impacto na escola, exigindo políticas integradas entre educação e saúde. A pesquisa sinaliza a necessidade de medidas para justificar faltas, oferecer reforço escolar e cuidar integralmente das estudantes, a fim de evitar defasagem de aprendizagem e punições por dias perdidos, segundo Sofia Reinach, líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Instituto Alana.
O levantamento também mostra que a menstruação é pouco percebida como questão coletiva no ambiente escolar. Entre os meninos, 36,8% disseram não pensar muito sobre o tema, índice superior ao registrado entre as meninas (19,7%). Em relação à idade da primeira menstruação, 36,5% das alunas começaram a menstruar até os 10 anos, e 65,2% até os 11 anos.
O Instituto Alana enfatiza que a dor menstrual deve ser considerada um fator recorrente de impacto funcional e que meninas e meninos precisam ser incluídos nas conversas sobre o tema desde o início do Ensino Fundamental.
Com informações de G1




