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quarta-feira, setembro 16, 2026

Baleia-jubarte faz travessia de cerca de 15.100 km entre Bahia e Austrália em 22 anos

Uma baleia-jubarte identificada no Banco de Abrolhos, litoral da Bahia, em 2003 foi registrada novamente 22 anos depois em Hervey Bay, no estado australiano de Queensland, após um percurso estimado em cerca de 15.100 km. O caso, relatado em artigo publicado na revista Royal Society Open Science, representa possivelmente a maior distância já documentada entre avistamentos de indivíduos dessa espécie.

Travessia inédita entre populações

Segundo os autores do estudo, trata-se do primeiro registro que comprova intercâmbio em ambas as direções entre populações reprodutivas de baleias-jubarte do Atlântico Sul e do Pacífico Sul. Os pesquisadores destacam que movimentos desse tipo são incomuns: ao analisar mais de quatro décadas de dados, encontraram apenas dois exemplos semelhantes.

Além do animal observado entre Bahia e Austrália, a equipe localizou outro indivíduo fotografado em Hervey Bay em 2007 e 2013 que foi visto posteriormente no litoral de São Paulo. O trajeto estimado desse segundo animal é de aproximadamente 14.200 km.

Identificação por imagens e inteligência artificial

A identificação das jubartes foi possível graças à plataforma internacional Happywhale, que reúne fotografias enviadas por cientistas e cidadãos. O sistema compara imagens da face inferior da cauda — considerada a “impressão digital” de cada baleia devido a padrões únicos de pigmentação, cicatrizes e formato das nadadeiras — com auxílio de algoritmos de inteligência artificial.

Base de dados e achados

Os pesquisadores examinaram 19.283 imagens registradas entre 1984 e 2025, abrangendo registros da América Latina e do leste da Austrália. Mesmo com esse amplo banco de dados, apenas duas baleias foram identificadas fazendo deslocamentos entre os dois continentes, o que corresponde a cerca de 0,01% dos indivíduos analisados.

Os intervalos entre os avistamentos — seis e 22 anos — sugerem que esses deslocamentos não constituem uma migração regular. “Esses parecem ser eventos raros, possivelmente únicos na vida”, escreveram os pesquisadores.

Rota desconhecida e possíveis causas

Os cientistas ressaltam que a distância divulgada refere-se a uma linha reta entre o Brasil e a Austrália; as rotas reais percorridas podem ser mais longas. Tradicionalmente, as jubartes australianas migram entre áreas de alimentação próximas à Antártida e zonas de reprodução junto à Grande Barreira de Corais, em um percurso anual de cerca de 10 mil km de ida e volta.

O estudo aponta hipóteses para os deslocamentos observados, como alterações climáticas que modificariam o comportamento migratório, a redistribuição do krill nas águas antárticas e o aumento populacional das jubartes após o fim da caça comercial em larga escala, fatores que podem ampliar o contato entre grupos de diferentes oceanos.

Com informações de Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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