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segunda-feira, novembro 2, 2026

Fintechs e fundos foram usados para lavar R$ 26 bilhões no coração financeiro de SP, diz operação Fluxo Oculto

Operação aponta uso de fintechs e fundos para ocultar dinheiro do crime organizado na Faria Lima

Uma investigação conjunta de órgãos federais e estaduais descobriu que seis fintechs investigadas pela operação Fluxo Oculto movimentaram R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, servindo como porta de entrada para recursos de origem ilícita no sistema financeiro. A ação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em 29 de maio e atingiu também quatro fundos de investimento que teriam sido usados para ocultar patrimônio.

Segundo porta-vozes do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as empresas de tecnologia financeira agiam como “bancos paralelos”: recebiam recursos provenientes do esquema de desvio de nafta — solvente químico importado por empresas de fachada e repassado para distribuidoras e postos com o objetivo de adulterar combustíveis — e introduziam esse dinheiro no circuito formal.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou em coletiva que o dinheiro “entra no sistema financeiro via fintech” e que os fundos de investimento foram utilizados em seguida para embaralhar a trilha patrimonial. De acordo com a autoridade, o fluxo envolvia investimentos sucessivos entre fundos para dificultar rastreamento, aquisição de bens, aplicação em empresas e remessas ao exterior que retornavam beneficiando os integrantes da organização criminosa.

Provas apreendidas nos últimos meses, incluindo conteúdos de celulares de contadores ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), indicam que as seis fintechs investigadas teriam substituído três plataformas que foram alvo da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, permitindo que a lavagem de dinheiro continuasse após aquela fase.

O promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP, João Paulo Gabriel, destacou também que as mesmas estruturas eram exploradas por diferentes organizações criminosas, descrevendo um fenômeno de “convergências criminosas” em que grupos distintos compartilham canais financeiros.

As investigações apontam fragilidades regulatórias exploradas pelos criminosos. Fintechs classificadas como instituições de pagamento pelo Banco Central não têm as mesmas obrigações de bancos comerciais, como maior exigência de reservas, o que teria facilitado a criação de contas de difícil rastreamento. A Receita equiparou o tratamento dessas fintechs ao dos bancos em agosto de 2025 e passou a exigir envio de informações por meio da e-Financeira; a autarquia também adotou a DeCripto para prestadoras de serviços de ativos virtuais.

A operação identificou ainda R$ 365 milhões em movimentações com criptoativos nas instituições investigadas. Em paralelo, o Banco Central determinou em setembro de 2025 que novas instituições de pagamento só poderiam operar após autorização formal e, dois meses depois, combateu o uso das chamadas contas-bolsão, que agregavam recursos sem identificação individualizada dos titulares.

Autoridades que participam das ações ressaltaram a importância de fortalecer a fiscalização. O superintendente-adjunto da Receita em São Paulo, Claudio Ferrer de Souza, informou que metade das fintechs alvo já enviava dados pela e-Financeira, enquanto as outras três não cumpriam a obrigação. Em audiências públicas, representantes da Polícia Federal e do Banco Central também apontaram deficiências de pessoal e tecnologia nas agências reguladoras, que teriam sido aproveitadas pelo crime organizado.

Especialistas ouvidos nas investigações alertaram que a recente classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode aumentar o risco regulatório para empresas com exposição internacional, tornando a adoção rigorosa de controles de compliance ainda mais necessária para evitar sanções e bloqueios de ativos.

O caso revela, segundo as autoridades, como brechas regulatórias e práticas de mercado permitiram que recursos ilícitos fossem inseridos e dissimulados no sistema financeiro a partir do centro financeiro de São Paulo.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://reportermarechal.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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